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Bolsa afunda 17,5% após vitória de Lula e registra pior semana desde 2020

Foto: Markus Winkler/Unsplash

A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocou uma forte reação negativa no mercado financeiro. Ao longo da semana, Bolsa, dólar e juros futuros registraram algumas das maiores oscilações negativas de 2026, em um movimento que reverteu parte dos ganhos acumulados antes do segundo turno.

O Ibovespa, que chegou a alcançar a marca histórica de 200 mil pontos neste mês, caiu 17,5% na semana e fechou outubro com perda de 9,21%. Levantamento da Elos Ayta, com base em dados da B3, aponta que o recuo semanal foi o quinto maior desde o início do Plano Real, em julho de 1994. Foi também a maior queda desde a semana encerrada em 20 de março de 2020, quando o índice perdeu 18,88% em meio ao início da pandemia de coronavírus.

O dólar também teve uma semana de forte valorização. A moeda americana subiu 9,18%, maior alta semanal do ano. Considerando o resultado acumulado em outubro até esta sexta-feira (30), o avanço chegou a 5,31%, também o maior ganho mensal de 2026 em relação ao real.

Os juros futuros acompanharam o movimento. O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2031 passou de 12,64% na última sexta-feira (23) para 15,3%, uma alta de 2,66 pontos percentuais. Essas taxas indicam as expectativas dos investidores para os juros nos próximos anos.

A reação mais intensa ocorreu na segunda (26), primeiro pregão após a vitória de Lula. O Ibovespa despencou 13,88% e encerrou o dia aos 176.608 pontos, na maior queda diária desde 16 de março de 2020. A dimensão do recuo levou a B3 a acionar o circuit breaker, mecanismo que suspende temporariamente as negociações diante de movimentos muito fortes de baixa.

Naquele mesmo dia, o dólar teve sua maior valorização diária desde 1999, enquanto os juros futuros avançaram mais de 2 pontos percentuais. O resultado reverteu parte da alta registrada nas semanas anteriores à eleição, período em que investidores apostavam na vitória de Flávio Bolsonaro (PL) e na adoção de medidas mais rigorosas de ajuste fiscal. Após o primeiro turno, por exemplo, investidores estrangeiros haviam colocado R$ 10,6 bilhões na Bolsa brasileira.

A vitória de Lula aumentou as preocupações do mercado sobre a condução das contas públicas e a possibilidade de continuidade de uma política fiscal expansionista. Esse cenário pode aumentar o risco percebido pelos investidores, que passam a exigir juros maiores para financiar o governo. Com taxas mais elevadas, o crédito fica mais caro para empresas e consumidores, o que também pode afetar os resultados das companhias e o desempenho das ações.

Fonte: Conexão Política

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