O chanceler da Argentina, Pablo Quirno, negou publicamente nesta sexta-feira (30/10) que o governo brasileiro tenha solicitado explicações formais a Buenos Aires a respeito da passagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pelo território argentino antes de seu embarque para os Estados Unidos.
A declaração do ministro das Relações Exteriores argentino contradiz o posicionamento divulgado pelo Palácio do Planalto, que afirmou ter cobrado esclarecimentos na quinta-feira (29/10) através de uma conversa com a encarregada de negócios da Embaixada argentina em Brasília, a ministra-conselheira Emilia Cortés.
Quirno manifestou-se por meio da rede social X (antigo Twitter), rebatendo uma reportagem do jornal argentino La Nación que noticiava a cobrança de esclarecimentos por parte do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Falso. Não houve nenhum pedido de explicações”, escreveu o chanceler.
Nos bastidores do Itamaraty, a convocação formal da representante diplomática argentina vinha sendo avaliada ao longo da semana. Outra alternativa em estudo pela diplomacia brasileira era uma abordagem direta do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, com o próprio chanceler argentino.
O caminho até os Estados Unidos e as suspeitas de apoio logístico
A controvérsia diplomática ocorre após a reeleição de Lula no último domingo (25/10). Dois dias após o pleito, Flávio Bolsonaro cruzou a fronteira terrestre com a Argentina e embarcou em um jato executivo com destino a Miami, realizando uma escala técnica no Equador. O parlamentar desembarcou em solo americano na quarta-feira (28/10), acompanhado da esposa e das duas filhas.
A viagem ocorreu em descumprimento a uma ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que havia determinado a retenção dos passaportes do senador e proibido sua saída do país. A Polícia Federal brasileira investiga as circunstâncias e as eventuais facilidades logísticas que permitiram a travessia da fronteira.
Inicialmente, o governo do presidente Javier Milei negou que o senador tivesse entrado na Argentina. Horas depois, a Dirección Nacional de Migraciones daquele país confirmou o registro de entrada de Flávio e sua família.
De acordo com apurações da imprensa internacional e local:
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Custo do voo: O jornal Perfil relatou que a viagem de jato custou cerca de US$ 140 mil e teria sido custeada por um corretor norte-americano.
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Logística americana: O The New York Times apontou que a aeronave foi providenciada com o auxílio de Jason Miller, assessor de comunicação da Casa Branca.
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Presença de autoridades: O jornal Clarín revelou que Santiago Caputo, assessor direto de Javier Milei, esteve em Puerto Iguazú na noite do embarque, enquanto o veículo Urgente24 informou que a Polícia de Segurança Aeroportuária (PSA) da Argentina teria escoltado a família até a aeronave.
Declaração em Miami e pressão diplomática
Após chegar a Miami, Flávio Bolsonaro divulgou uma carta aberta contestando o resultado do pleito presidencial e insinuando fraudes nas urnas, sem apresentar evidências. No documento inicial, o parlamentar chegou a autodeclarar-se o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”.
Contudo, o termo foi alterado posteriormente para “líder do Brasil”. Segundo a colunista Mariana Sanches, do portal UOL, a modificação no texto ocorreu após pressões de diplomatas do Departamento de Estado dos Estados Unidos para evitar o agravamento da crise institucional entre Washington e Brasília.
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