Componentes relevantes da cauda do Learjet 60 que caiu no último domingo (1º) na Flórida, provocando a morte de todas as nove pessoas a bordo, já haviam se separado da aeronave antes do impacto com o solo. A informação foi confirmada à imprensa local por investigadores do Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB, na sigla em inglês).
O elevador esquerdo da aeronave — superfície de comando responsável pelo controle vertical do voo — foi localizado em três fragmentos a uma distância entre 2 km e 6 km (1,3 a 3,8 milhas) da cratera principal.
“Isso nos diz que pelo menos alguns componentes, algumas peças importantes da aeronave, se separaram antes do impacto”, afirmou Thomas B. Chapman, porta-voz do NTSB, durante coletiva de imprensa nesta terça-feira (3).
Chapman ressaltou que a perícia ainda apura se o desprendimento dessas peças causou a perda de controle da aeronave ou se foi consequência do estresse estrutural sofrido no ar. A distância entre os destroços confirma que os componentes se soltaram em voo, descartando a hipótese de dispersão causada apenas pela explosão final.
Clima tempestuoso e momento da queda
O clima severo registrado na região continua sendo um dos focos centrais da apuração. Fortes tempestades na segunda-feira (2) atrasaram os trabalhos periciais, mas as equipes conseguiram documentar e recolher evidências no local ao longo de toda a terça-feira.
O jato executivo, avaliado em cerca de US$ 2 milhões, decolou de Austin, no Texas, com destino às Bahamas. Durante a rota, a aeronave entrou em uma queda repentina a uma taxa de aproximadamente 32 mil pés por minuto, explodindo ao atingir o solo próximo a um parque de trailers na região de Palm Springs/Greenacres.
As vítimas e os momentos finais
A tragédia vitimou o executivo de tecnologia Adam Robinson, de 44 anos, sua esposa Helen Sharp e os dois filhos do casal, Emma, de 4 anos, e Charlie, de 2 anos. Também morreram as amigas da família Rachael Reed e Charmi Fehr, a babá Anita Maria Apellido Cetina, o piloto Jeff Gregory, de 55 anos, e a copiloto brasileira Nathalia Filgueiras, de 20 anos.
Nos momentos finais da transmissão com o controle de tráfego aéreo, o piloto foi ouvido recitando o Pai-Nosso, enquanto a copiloto solicitava socorro.
Buscas pela caixa-preta
As equipes de resgate e peritos concentram os esforços na busca pela documentação de manutenção do avião, registros de histórico da tripulação e na localização da caixa-preta na cratera provocada pelo impacto.
Apesar da complexidade do terreno, Chapman demonstrou confiança nos trabalhos de campo: “Temos pessoas excelentes. Tenho certeza de que vão encontrar as evidências necessárias dentro dessa cratera para esclarecer o que aconteceu e por quê”.