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Justiça do Paraguai decreta prisão preventiva do ex-presidente Santiago Peña

A Justiça do Paraguai determinou neste sábado (7) a prisão preventiva do ex-presidente Santiago Peña, que perdeu o cargo em um processo de impeachment na sexta-feira (6). Ele é investigado pelos crimes de lesão de confiança, na condição de instigador, e administração em benefício próprio, como autor.

A decisão atende a um pedido feito pelo Ministério Público do país horas antes. Peña estava preso temporariamente desde a noite de sexta-feira, quando foi destituído do cargo por unanimidade. O Ministério Público havia determinado sua detenção para garantir que tanto ele quanto o ex-chefe do Banco Central, Carlos Carvallo, prestassem depoimento.

Segundo o juiz Humberto Otazú, responsável pelo caso, a medida foi adotada para evitar o risco de fuga e assegurar que Peña permaneça no país durante o andamento do processo. Durante a audiência, o ex-presidente optou por ficar em silêncio.

O magistrado também informou que analisa o pedido do Ministério Público para o bloqueio dos bens de Peña. De acordo com Otazú, há pontos da solicitação que ainda estão sob avaliação da Justiça.

Peña seguirá detido no Regimento de Escolta Presidencial devido ao seu acesso prévio a informações sigilosas sobre o sistema financeiro e o crime organizado durante o mandato, justificou o juiz. O ex-presidente prestou depoimento neste sábado, na sede da Procuradoria-Geral do Ministério Público, em Assunção, por volta das 11h (horário de Brasília).

Da crise bancária à derrocada política

Peña foi preso temporariamente na sexta-feira, logo após a conclusão da votação que cassou seu mandato no Congresso.

A crise política no Paraguai eclodiu após a quebra do Ueno Bank, instituição financeira digital que deixou milhões de clientes sem acesso aos seus recursos. O colapso provocou protestos em Assunção e elevou dramaticamente a pressão sobre o governo de Peña.

O ex-presidente passou a ser alvo de investigações por seus vínculos empresariais com o grupo controlador do banco, tendo mantido participação na holding ligada à instituição até março de 2025. O Banco Central do Paraguai interveio na entidade após identificar graves irregularidades em operações de crédito e insuficiência de capital.

Na quinta-feira (5), Peña tentou renunciar ao cargo sob a alegação de querer preservar a estabilidade institucional, mas a manobra não impediu o andamento do impeachment. Além dele, o Ministério Público abriu investigações criminais contra autoridades do Banco Central.

Com a saída definitiva de Peña, o então vice-presidente Pedro Alliana assumiu a chefia do Executivo para completar o mandato presidencial, previsto para terminar em 15 de agosto de 2028.

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