Resumo
- Dados de acesso ao Smart Sampa, sistema de videomonitoramento da Prefeitura de São Paulo, ficaram expostos por cerca de 11 meses em um repositório público na internet.
- O material exposto permitia acessar transmissões de parte das mais de 58 mil câmeras do programa e continha informações de milhares de agentes de segurança.
- A Prefeitura de São Paulo confirmou o vazamento, mas afirmou que os dados foram divulgados ilegalmente por um servidor, que já foi identificado e afastado.
Dados de acesso ao Smart Sampa, sistema de videomonitoramento da Prefeitura de São Paulo, ficaram expostos por cerca de 11 meses em um repositório público na internet. O material permitia acessar transmissões de parte das mais de 58 mil câmeras do programa e continha informações de milhares de agentes de segurança.
Segundo apuração do portal UOL publicada nesta terça-feira (20/10), entre os arquivos encontrados estavam 181 combinações de login e senha, dados cadastrais de mais de 6 mil agentes e informações sobre reprodução de funções da plataforma.
A reportagem afirma ter conseguido acessar imagens ao vivo de vias públicas e de equipamentos municipais, como escolas, unidades de saúde e hospitais. A Prefeitura confirmou o vazamento ao Tecnoblog, mas nega que houve falha de segurança. Segundo a nota da gestão do município, os dados foram divulgados ilegalmente por um servidor, que já foi identificado, afastado e está sob investigação da Corregedoria da Guarda Civil Metropolitana (GCM).
Dados permitiam acessar câmeras
Os arquivos encontrados no repositório continham informações que permitiam reproduzir funções da central em outros dispositivos e realizar consultas usando dados como nomes, CPFs e placas de veículos, de acordo com o UOL.
Essas informações permaneceram disponíveis em um repositório aberto por cerca de 11 meses. Parte das credenciais permitia acessar a plataforma da Sentinelx, empresa responsável pelo software usado pelo Smart Sampa.
A reportagem afirma que as credenciais possibilitavam visualizar transmissões de equipamentos conectados em locais como escolas e hospitais. Em um dos testes, um repórter foi até uma rua do bairro Campos Elíseos, no centro de São Paulo, e acenou diante de quatro câmeras. A equipe conseguiu acompanhar os movimentos em tempo real.
Foram identificadas:
- 1.157 câmeras em Unidades Básicas de Saúde (UBSs)
- 424 em Escolas Municipais de Educação Infantil (EMEIs)
- 396 em Escolas Municipais de Ensino Fundamental (EMEFs)
- 118 em Centros de Atenção Psicossocial (CAPS)
- 80 em hospitais
- 68 em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs)
Inaugurado em julho de 2024, o Smart Sampa reúne câmeras públicas e câmeras privadas conectadas a uma central de monitoramento da Prefeitura de São Paulo. O programa é operado pela Sentinelx em um contrato estimado em R$ 588 milhões ao longo de cinco anos.
Ministério Público vai apurar o caso
O Ministério Público de São Paulo abriu um procedimento para apurar o vazamento. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, ainda não se trata de uma investigação formal, mas de uma Notícia de Fato instaurada pela secretaria da Promotoria.
A Prefeitura de São Paulo afirma que um servidor que já possuía autorização para acessar o Smart Sampa divulgou informações do sistema ilegalmente. O funcionário foi afastado e sua conduta está sendo investigada pela Corregedoria da GCM.
Em nota ao Tecnoblog, a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirma que “não há nenhuma fragilidade nos mecanismos de segurança” do Smart Sampa e acusa o UOL de agir “com irresponsabilidade”.
A administração municipal declara que o programa é fiscalizado pelo Tribunal de Contas do Município e conta com mecanismos de supervisão e auditoria previstos em contrato. Segundo a Prefeitura, as câmeras instaladas em equipamentos públicas ficam em áreas de circulação comum e não abrangem consultórios, salas de atendimento ou outros ambientes assistenciais.
“O repositório de dados disponibilizado ilegalmente na internet foi retirado do ar pela Pasta e não havia nele menção a senhas de acesso”, diz a nota.
Fonte: Tecnoblog
