O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) atendeu 353 casos de acidentes de trânsito em Porto Velho durante o mês de setembro, e os números chamam a atenção: 292 dessas ocorrências, o equivalente a 82,72%, envolveram motocicletas. Os dados, divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde (Semusa), mostram o tamanho do risco que os motociclistas enfrentam diariamente nas ruas da cidade.
O número de acidentes registrados em setembro é o maior do ano até agora. Para se ter uma ideia do salto negativo, em janeiro o Samu atendeu 184 ocorrências desse tipo, o que representa um aumento de quase 92% ao longo dos meses. Apenas os casos envolvendo motos foram responsáveis por quase metade (46,20%) de todos os atendimentos de traumas (ferimentos causados por impactos físicos) realizados pelas equipes de resgate no período.
Para conseguir chegar mais rápido aos feridos em meio ao trânsito, as “motolâncias” — motocicletas do Samu pilotadas por profissionais de saúde — realizaram 62 atendimentos diretos a motociclistas acidentados em setembro. O prefeito Léo Moraes demonstrou preocupação com as estatísticas, destacando que cada acidente afeta famílias inteiras e pediu a colaboração dos motoristas para um trânsito mais seguro.
Como prevenir acidentes e acionar o socorro
Como quem anda de moto não tem a proteção da lataria de um carro, o corpo fica muito mais exposto a machucados graves em caso de quedas ou batidas. O secretário de Trânsito, Iremar Torres, lembra que a segurança depende da escolha de cada motorista e que regras básicas evitam tragédias: respeitar os limites de velocidade, usar o capacete corretamente e redobrar a atenção nos cruzamentos. Misturar bebida e direção, usar o celular no volante e fazer ultrapassagens perigosas são atitudes que multiplicam os riscos.
A secretária de Saúde, Sandra Cardoso, reforçou que, por trás de cada número, existe uma pessoa sofrendo e uma família preocupada, sendo a prevenção o único caminho. Em caso de acidentes com feridos, a recomendação é ligar imediatamente para o Samu no número 192, que funciona 24 horas por dia. É muito importante nunca tentar mover a vítima, a menos que haja risco imediato de incêndio ou novo atropelamento, e seguir sempre as orientações do médico pelo telefone até a ambulância chegar.
O desafio das motocicletas em Rondônia
Em Rondônia, a motocicleta é muito mais do que um simples veículo de passeio; é a principal ferramenta de trabalho para entregadores e o meio de transporte mais rápido e econômico para milhares de famílias. O rápido crescimento da frota de motos em Porto Velho e nas cidades do interior exige vias mais bem sinalizadas e muito mais paciência de quem dirige veículos maiores.
Esse alto número de acidentes reflete diretamente na lotação dos hospitais estaduais, como o Pronto-Socorro João Paulo II. A imprudência no asfalto não apenas destrói vidas, mas também gera um custo altíssimo para a saúde pública em toda a Amazônia ocidental, mostrando que a educação no trânsito é uma necessidade urgente para o estado.