O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou nesta quinta-feira (1º) que o copiloto do voo da Flydubai que esfaqueou o capitão “foi submetido a um processo de doutrinação islâmica radical” e disse que, durante o ataque, ele gritou à tripulação “Matem-me, matem-me”, o que, segundo Netanyahu, deixaria “claro que era suicida”.
“O atacante, o copiloto que atacou o capitão, está sendo interrogado agora. Mas isto é o que sabemos. Primeiro, sabemos que ele foi submetido a um processo de doutrinação islâmica radical”, disse Netanyahu ao programa Fox & Friends. Ele acrescentou que isso “parece ser algo que estamos obtendo das informações, das informações pessoais dele”, sem fornecer mais detalhes.
“Odiava os israelenses”
Na mesma entrevista, Netanyahu disse desconhecer os antecedentes exatos do atacante, mas afirmou que “é evidente que odiava os israelenses, já que ia matar cerca de 170 deles naquele avião, suicidando-se também”. Ele relacionou o episódio à “propaganda anti-Israel” e o descreveu como “fanatismo e ódio de um nível incalculável”, depois que o apresentador Sean Hannity o classificou como antissemitismo.
Ele também elogiou um “heroico passageiro” que, segundo ele, “atuou com uma valentia tremenda que evitou outro 11 de Setembro”. Segundo o primeiro-ministro, esse passageiro entrou na cabine, ajudou a conter o atacante e nivelou o avião antes que caísse.
Hipóteses investigadas
Autoridades israelenses tratam o caso como uma possível tentativa de atentado. O ministro da Defesa, Israel Katz, e o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, classificaram o ataque como “jihadista”. O próprio Netanyahu, porém, afirmou em entrevista anterior à CBS que não descartava a possibilidade de o episódio estar relacionado a problemas de saúde mental.
O copiloto, que, segundo relatos, é cidadão de Omã, está detido na Arábia Saudita. Netanyahu disse esperar que os Emirados Árabes Unidos liderem a investigação, com a participação de Israel, e que o suspeito seja transferido “muito em breve, suponho” para Dubai.
O diretor-geral da Chancelaria israelense classificou o episódio como “uma tentativa de ataque terrorista contra israelenses, contra os Emirados Árabes Unidos e contra os Acordos de Abraão”. O chanceler Gideon Saar conversou com seu homólogo emiradense, Abdullah bin Zayed, e ambos concordaram em “colaborar contra os elementos extremistas que buscam prejudicar a segurança”.
A Procuradoria-Geral dos Emirados Árabes Unidos abriu uma investigação que inclui a possibilidade de “atividade ou intenção terrorista”, enquanto a Autoridade Geral de Aviação Civil emiradiana limitou-se a classificar o caso como um “incidente de segurança”. Um funcionário regional disse à agência Associated Press (AP) que todos os cenários estão sendo investigados, “do terrorismo aos transtornos mentais”.
A Flydubai afirmou que houve um “altercado” na cabine, disse que as razões ainda são desconhecidas e pediu que sejam evitadas “especulações prematuras”. O presidente americano, Donald Trump, que conversou sobre o incidente com Netanyahu, afirmou que “parece que o copiloto era talvez um terrorista ou talvez um maluco”.
Passageiros e capitão
O avião transportava 174 pessoas, das quais 166 eram israelenses, e teria perdido cerca de 17 mil pés de altitude em um minuto, segundo o Flightradar24.
A passageira Miryam Shira Ohayon relatou, por telefone, enquanto sua mãe acompanhava a situação no aeroporto Ben Gurion, que o avião estava “praticamente fora de controle”. “Realmente ia em direção a se chocar, e foi simplesmente a engenhosidade de muita gente que assumiu o controle do copiloto e o neutralizou”, disse.
Netanyahu também elogiou o capitão, o indiano Smit Machchhar, hospitalizado na Arábia Saudita, por sua “extraordinária valentia”. O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, também o chamou de “herói”.
O presidente israelense, Isaac Herzog, anunciou que entregará prêmios por heroísmo aos passageiros que ajudaram a conter o copiloto.

















