quinta-feira, outubro 8, 2026
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Análise: Cruzeiro constrói vitória segura com escolhas de Artur Jorge e finca o pé na briga pelo G-4

Com baterias recarregadas e o brilho de Artur Jorge, o Cruzeiro se impôs sobre o São Paulo e venceu por 2 a 0, no Mineirão, no primeiro jogo após a Data-Fifa. O resultado teve as digitais do treinador português desde a escalação e mantém o time vivíssimo na briga por vaga direta à próxima Libertadores.

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O Cruzeiro, assim como os outros times brasileiros, teve um período de luxo para descansar e trabalhar as partes física e mental. E o jogo do Mineirão mostrou que a preparação surtiu efeito.

Artur Jorge teve elenco limitado à disposição. Perdeu Fabrício Bruno e Villalba, com queixas musculares, e passou as três semanas de preparação sem contar com Otávio, Arroyo e Zé Lucas. Com viagens longas e jogos pelas respectivas seleções, os três ficaram disponíveis, mas distantes da plenitude física.
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Otávio foi o único titular; Zé Lucas ainda busca sequência; mas Arroyo vinha sendo destaque até a pausa no calendário. Sem substitutos que deem confiança, Artur Jorge surpreendeu na escolha de Bruno Rodrigues, mudou o esquema e começou a desenhar a vitória na escalação.
O Cruzeiro, desde o início da partida, incomodou a defesa são-paulina com movimentos pouco vistos na temporada. Matheus Pereira foi um falso ponta pela direita, Bruno Rodrigues jogou como segundo atacante e deu espaços para Kaio Jorge explorar – o centroavante, aliás, teve a melhor atuação dos últimos meses.
O trio esteve afinado desde o início e gerou confusão na marcação adversária, mas uma outra escolha de Artur Jorge foi fundamental para conduzir o time à vitória: Felipe Morais, de 18 anos.
O atacante vinha pedindo espaço desde que passou a integrar o elenco principal. Depois de mudar a cara da equipe na virada sobre o Vitória, conquistou a posição de Wesley e, sem dúvida, ganhou pontos no Mineirão. Foi ponta agudo pela esquerda, meia de ligação e atacante de associações. Completo nas movimentações ofensivas, ainda teve papel fundamental na marcação pressão.
O Cruzeiro, que se movimentou bem e conseguiu ser incisivo no ataque, ainda oscilou em algumas ações defensivas. Mas, novamente, contou com a segurança da dupla de zaga. Jonathan Jesus é um dos mais regulares na temporada, e João Marcelo – escolhido por Artur antes da lesão de Fabrício – mostra que o companheiro terá dificuldades para retomar a titularidade. Quando o sistema não funcionou, Otávio apareceu.

Outro ponto positivo da equipe na partida foi a boa aparição dos jogadores que estavam no banco. Matías Viña estreou e deixou boa impressão no setor do oscilante Rojas. No meio-campo, Zé Lucas teve atuação consistente coroada com o gol que deu tranquilidade ao Cruzeiro na metade final do segundo tempo.

Não dá para dizer que o Cruzeiro foi brilhante, mas fez um jogo com nível de segurança que há muito não se via. A parte física claramente está melhor, e a tendência é de que a manutenção seja natural em função da quantidade menor de jogos. Para o sistema pretendido por Artur, tal ponto é fundamental.
O aspecto mental, claro, foi recuperado com o descanso e a saída dos holofotes depois de duas eliminações duras. Elas seguirão na mente – especialmente do torcedor –, mas a reconstrução da confiança só é possível com resultados e presença no G-5 ou no G-4. O jogo contra o São Paulo só afirma o que está na tabela: o Cruzeiro de Artur Jorge no Brasileiro.

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