A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou as críticas dirigidas à equipa económica de Flávio Bolsonaro, com particular incidência na figura de Daniella Marques. A ex-presidente da Caixa Económica Federal, apontada como possível escolha para liderar os ministérios da Fazenda, da Economia ou uma pasta dedicada ao Desenvolvimento Social num eventual governo do candidato do PL, tornou-se um alvo central na reta final da campanha para a segunda volta, marcada para o próximo dia 25 de outubro.
Novos materiais divulgados pelo Partido dos Trabalhadores (PT) miram diretamente a imagem da gestora, questionando a sua projeção das agendas económicas. As peças publicitárias chegam a traçar paralelismos entre Daniella Marques e Zélia Cardoso de Mello, ex-ministra da Economia durante o governo de Fernando Collor de Mello. A linha argumentativa da campanha petista levanta a hipótese de eventuais confiscos e congelamentos de bens durante um futuro governo de Flávio Bolsonaro, recuperando memórias da agenda económica aplicada no início da década de 1990.
A estratégia das campanhas e a polarização
De acordo com o portal Conexão Política, o PT baseia estas alegações em suposições, não apresentando dados concretos ou propostas retiradas do plano de governo adversário que sustentem a tese do congelamento de ativos. A estratégia é interpretada como uma forma de potenciar o receio do eleitorado face a medidas impopulares, visando neutralizar o apoio ao adversário ou promover a migração de votos. Este não é o primeiro embate político entre Daniella e a liderança petista: em setembro, a gestora já havia criticado publicamente uma declaração de Lula sobre o contacto físico com mulheres desde a infância, classificando a fala como inadequada.
Os reflexos do embate económico em Rondônia
A guerra de narrativas sobre o futuro económico do país reverbera com especial intensidade no estado de Rondônia. O estado, fortemente dependente do agronegócio e das exportações, acompanha com atenção os discursos das duas candidaturas. O setor produtivo de municípios como Vilhena e Ariquemes teme medidas que possam desestabilizar o fluxo financeiro, rejeitando a hipótese de confiscos, mas também avaliando criteriosamente a segurança jurídica das propostas da atual oposição.
Para os eleitores e empresários locais, a estabilidade das políticas da Caixa Económica Federal e o financiamento de safras são vitais para a manutenção da economia rondoniense, tornando o debate em torno dos futuros ministros da economia um fator decisivo no momento do voto nas urnas da Amazónia ocidental.
















