Na Copa da Rússia, Tite percebeu que Willian não conseguiria render como ele precisava.
Franzino, baixo, não conseguia fugir de marcações individualizada, por setor. Ou ainda reforçar a marcação nas triangulações adversárias, muito menos pelo alto.Queria começar uma nova caminhada para o Qatar, a partir da Copa América.
E deixou Willian fora da Copa América,Sem dor na consciência.
Só que ele levava em consideração o Mundial, não a boa temporada que fez no Chelsea. O meia-atacante conseguiu se recuperar de suas péssimas atuações na Rússia. Principalmente porque fez um trabalho físico individualizado, específico.
Ganhou força, massa magra e fôlego para estar onipresente em campo.
Quando Neymar foi cortado da Copa América, por conta de ruptura nos ligamentos do tornozelo direito, a pressão da mídia, principalmente a carioca, era que Vinícius Júnior, do Real Madrid, fosse chamado.
O jovem atacante ganharia experiência em um torneio importante, mas menor, e passaria a conviver com o ambiente da seleção principal.
Mas Tite se lembrou dos conselhos que ouviu de Sylvinho e de Cléber Xavier. E apostou em Willian.
O treinador foi massacrado pelos jornalistas pela escolha. Seria a demonstração de uma fidelidade cega ao grupo que o fortaleceu na Seleção, com a caminhada vitoriosa nas Eliminatórias para o Mundial russo.
Só que Willian surpreendeu a todos.
Se tornou o 12º titular.
Entrou na primeira partida, contra a Bolívia, no lugar de Richarlison. Não jogou diante da Venezuela. Substituiu Philippe Coutinho e fez gol contra os peruanos. Foi chamado para deixar o Brasil mais ofensivo, na vaga de Allan,no confronto com os paraguaios.
E diante da Argentina, entrou no intervalo para dar equilíbrio ao time. Substiituiu muito bem o intimidado Éverton Cebolinha. Deixou o Brasil muito mais compacto, intenso na marcação e perigoso nos contragolpes.
Estava sendo o jogador tático fundamental no triunfo. Atacava, recompunha, dava a alma ajudando Daniel Alves a marcar pela direita.
E foi assim, aos 36 minutos do segundo tempo, a tentar travar um cruzamento de Di Maria, que o músculo posterior da coxa direita não suportou tanto esforço. Afinal, o brasileiro está no final de temporada no Chelsea.
A entrega de Willian. Machucado, seguiu em campo. E está fora da final
Mowa Press
Resultado, teria de deixar a partida.
Mas Tite havia feito todas as três trocas permitidas.
O que fez o jogador?
Seguiu em campo por cerca de dez minutos.
Sacrifício importantíssimo na vitória.
Tudo indica que a lesão piorou.
Mas ele se negou a deixar os argentinos com a vantagem psicológica de terem um a mais no gramado.
A postura custou caro.
Exames por imagens detectaram o rompimento do músculo.
Não haverá tempo para que ele possa jogar a final da Copa América, domingo, no Maracanã.
Tite estava tenso após a vitória contra os argentinos.
Ele sabia que Willian estava fora da decisão.
O treinador sabe ter perdido o mais versártil dos jogadores no elenco. Jogador capaz de mudar o ritmo, a dinâmica, a postura da Seleção.
Aquele que o futebol mostrou ter errado ao deixar de fora da convocação.
Mas deu a chance de reparar o equívoco.
Ganhou seu 12º jogador.
O destino não quis na decisão.
Mas Willian está em paz.
Cumpriu sua missão.
E reconquistou seu espaço na Seleção.























