O bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos aos portos do Irã entrou seu terceiro dia nesta quarta-feira (15) com relatos conflitantes acerca da efetividade da medida. Ela foi determinada por Donald Trump para pressionar Teerã enquanto uma paz entre os rivais é negociada.
O caso mais chamativo é o do navio chinês Rich Starry, que está sob sanções americanas por já ter transportado petróleo e derivados iranianos. Ele havia deixado o golfo Pérsico e transitado por Hormuz da segunda (13), dia do início do bloqueio, para a terça (14).
Nesta quarta, o navio voltou por Hormuz e está ancorado perto do Irã. Só que ele transporta 250 mil barris de metanol carregados nos Emirados Árabes Unidos, teoricamente ficando fora do escopo do bloqueio. É incerto se a embarcação pagou o pedágio que Teerã buscou instituir com uma nova rota passando por suas águas em Hormuz, após ter dito que minou o caminho usual pelo centro do corredor.
Na véspera, o líder chinês Xi Jinping usou termos duros contra o conflito, e sua chancelaria chamou as restrições de irresponsáveis e perigosas. Em 2025, o Irã foi o terceiro maior fornecedor de petróleo de Pequim.
Na mão contrária, a agência de notícias iraniana Fars disse que um superpetroleiro conseguiu furar o bloqueio americano e chegou a um porto do país para ser carregado. Não há confirmação desse trânsito por monitores de tráfego marítimo, mas basta desligar o sistema de identificação da embarcação para não ser visto.
Segundo as consultorias marítimas Kpler e LSEG, não há registro de que quaisquer petroleiros iranianos tenham deixado Hormuz desde o início do embargo. Apesar disso, o país diz que não há prejuízo porque os próprios EUA autorizaram o comércio de seu petróleo embarcado fora da região, como forma de aliviar a pressão sobre os preços da commodity.
Além disso, segundo a Fars, Teerã estuda usar portos pouco operados na costa sul do país, fora da área de embargo, embora pareça difícil a viabilização: cerca de 90% do produto exportado pelo Irã saí do terminal na ilha de Kharg, no golfo Pérsico.
Os americanos dizem ter envolvido 10 mil soldados na operação para rastrear esses navios em modo fantasma, com o chamado transponder desligado. Segundo militares dos EUA, ao menos dois petroleiros foram parados após deixar o porto iraniano de Chabahar, mas deram meia-volta.
As circunstâncias dessas abordagens permanecem obscuras. Pelas regras de engajamento de bloqueios navais, a Marinha que o impõe alerta primeiro o navio e, sem sucesso, pode abordá-lo com lanchas ou helicópteros. A situação pode então escalar para apreensão ou, em caso de resistência, afundamento do navio.
Segundo serviços de monitoramento do tráfego na região, Na terça, ao menos oito navios passaram por Hormuz. Eles estavam indo ou deixando portos de outros países, não cobertos pelo embargo. Os EUA falaram à mídia americana em até 20 embarcações.
Entre os navios que passaram está outro sob sanção americana, o superpetroleiro Alicia, que vinha transportando petróleo iraniano desde 2023. A embarcação se dirigiu vazia para embarcar óleo no Iraque, assim como outro navio, o Agios Fanourios 1.
O vaivém de versões ocorre enquanto os EUA, que iniciaram a guerra contra o Irã ao lado de Israel em 28 de fevereiro e a congelaram na semana passada, buscam uma saída para o conflito antes da expiração da trégua, na próxima terça (21).
Trump concedeu diversas entrevistas na noite de terça e, ao falar à rede britânica Sky News, afirmou novamente que espera um fim breve para o conflito. À americana ABC, afirmou esperar novidades em talvez dois dias.
As negociações diretas com o Irã, no fim de semana no Paquistão, deverão ser retomadas. Elas fracassaram em resultar numa solução imediata, mas o cessar-fogo foi mantido, o que sugere disposição para continuar.
Nesta quarta, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, disse que seu país prefere a paz à guerra. Trump, que jogou na confusão desde o começo do conflito, apresentando diversos “casus belli” e sem se fixar em nenhum, agora parece se satisfazer com uma solução para a crise em Hormuz e com algum acordo em torno do programa nuclear iraniano.
Críticos notam que isso poderia ter sido alcançado sem a guerra. Na prática, pode haver um acordo semelhante ao de 2015, descartado pelo próprio Trump três anos depois, buscando congelar por um período as atividades atômicas de Teerã.





















