O ginecologista e obstetra Nicodemos Júnior Estanislau Morais, 41, investigado pela Polícia Civil de Goiás por suspeita de violência sexual mediante fraude contra mais de 50 mulheres, voltou a ser preso nesta sexta-feira (8).
Nesta sexta, porém, outro pedido de prisão foi expedido pela Justiça em Abadiânia após o início de uma nova investigação contra ele. A cidade fica a 36 quilômetros de Anápolis, município onde o médico reside.
Também é em Anápolis que corre o inquérito principal, no qual já foram ouvidas 53 mulheres com denúncias contra Morais.
A investigação em Abadiânia tem até o momento relato de quatro mulheres, que narram algumas situações semelhantes às descritas pelas demais vítimas, de acordo com o delegado do caso, Rosivaldo Linhares.
Os casos ocorreram entre agosto e setembro deste ano em Abadiânia, onde, segundo a polícia, o médico atendia em clínicas. Duas das vítimas foram encaminhadas à delegacia local depois de procurarem a polícia em Anápolis.
“Os relatos são sempre os mesmos, uma consulta marcada, agendada direitinho e que, em um determinado momento, ele começa a se exceder no protocolo médico e vai além do que preconiza os manuais de medicina, vamos dizer assim”, diz o delegado.
Linhares evita falar de detalhes alegando respeito às vítimas, que têm entre 20 e 40 anos. Desde que a investigação em Anápolis foi noticiada, na semana passada, diz ele, a investigação em Abadiânia se intensificou. Duas mulheres procuraram a polícia antes da divulgação dos demais casos, outras duas na última semana.
Como os casos pertencem a duas comarcas diferentes, com juízes diferentes, ao final da investigação, explica ele, serão apresentados relatórios diferentes por cada uma das equipes.
“Temos mais vítimas que têm receio de dar o depoimento, mas já sabemos da existência delas”, afirma o delegado. “Eu acredito que com a manutenção da prisão, [podem depor nos próximos dias]”.
O médico foi ouvido hoje, presencialmente, em Abadiânia e teve audiência de custódia na tarde de sexta, quando foi mantida a prisão. Ele será encaminhado ao sistema prisional em Aparecida de Goiânia, município na região metropolitana de Goiânia, segundo a DGAP (Diretoria-Geral de Administração Penitenciária).
O juiz Marcos Lopes Filho determinou que o Ministério Público e a defesa apresentem documentos no prazo de 48 horas, quando voltará a analisar o caso.
O promotor Luciano Miranda Meireles opinou pela manutenção da prisão preventiva, ressaltando isso seria necessária para manutenção da ordem pública e para a aplicação da lei penal.
Em entrevista à TV Anhanguera, afiliada à Rede Globo, no início da semana, o médico disse que “brinca com algumas coisas”, reconheceu que nisso pode ter “pecado” e estaria errado e confirmou a troca de mensagens por aplicativos com pacientes.
“Durante o exame físico, eu tenho que fazer o toque. O ginecologista que não faz o toque, não examinou, assim como o cardiologista que não escuta o coração do seu paciente não examinou”, afirmou.
“Nunca, em nenhum momento, eu toquei uma paciente com objetivo de ter prazer sexual ou de fazer ela ter prazer sexual, porque o objetivo ali é o exame físico”, se defendeu.
O advogado Carlos Eduardo Gonçalves Martins, que representa a defesa do médico, disse que pediu a revogação da nova prisão preventiva e que aguarda a decisão do juíz para se manifestar.
O Cremego (Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás) divulgou na quarta-feira (6) a decisão de suspender temporariamente a licença do médico.
Com isso, ele fica impedido de exercer a medicina em todo o território nacional por um período de seis meses.
O conselho, que diz ter tomado conhecimento das denúncias depois da prisão e afirmou que apura a conduta do médico em um processo ético-profissional que tramita em sigilo.





















