A ausência física de Jair Bolsonaro (PSL), candidato a presidente que segue internado em estado grave após ter sido esfaqueado na semana passada, deixou acéfala sua campanha ao Planalto.
Com a nova cirurgia de emergência a que ele teve de ser submetido na noite de quarta (12), só com muito otimismo aliados acham ser possível contar com vídeos de campanha gravados pelo deputado no hospital.
O agravamento do quadro descarta, na prática, a volta física do deputado à disputa, inclusive no caso de ele chegar ao segundo turno.
Os três filhos mais velhos do candidato, todos políticos e ligados à campanha, buscam tomar as rédeas do processo.
Não por acaso, a conta de Bolsonaro no Twitter, à qual só eles têm acesso, trouxe um post sobre o assunto na quinta (13). “Muita coisa vem sendo falada na tentativa de nos dividir e, consequentemente, nos enfraquecer. Não caiam nessa! Não há divisão!.”
Há dificuldades, a começar pela definição sobre o papel do vice do deputado, o general da reserva Hamilton Mourão (PRTB), enquanto o presidenciável convalesce.
Seu partido, o PRTB, consultou o Tribunal Superior Eleitoral sobre a possibilidade de Mourão ocupar o púlpito destinado a Bolsonaro em debates. Isso irritou a família, que viu no movimento um açodamento indevido, além de ter sido feito sem consulta ao PSL.
Mourão manteve sua disposição de “representar Bolsonaro”, mas disse que o candidato “é insubstituível”.
“Tenho o maior apreço pelo general, mas as coisas precisam ser esclarecidas. Bolsonaro está vivo e vai voltar a participar da campanha”, disse diplomaticamente Luiz Antonio Nabhan Garcia, presidente da União Democrática Ruralista e um dos braços direitos do presidenciável.
Outros integrantes do núcleo consultor da campanha, que pediram para não se identificar, foram mais incisivos no que chamaram de oportunismo de Mourão e ainda jogaram a culpa no presidente do seu partido, Levy Fidelix.
Dois desses bolsonaristas atribuem à falta de acesso de Fidelix ao candidato na UTI do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, a motivação para a consulta. A reportagem o questionou sobre isso, sem resposta.
Enquanto isso, Mourão segue cumprindo agendas pontuais. O mesmo ocorre com os filhos de Bolsonaro e aliados como o candidato ao Senado pelo PSL-SP, Major Olímpio. Ele e Eduardo, candidato à reeleição na Câmara, estarão por exemplo juntos em Bauru neste sábado (15).
Durante evento em São Paulo nesta quinta, Olímpio foi franco a respeito da possibilidade de sucesso da empreitada. “Nós não temos [Olímpio, Eduardo e Mourão] essa capacidade de levar milhares de pessoas às ruas, como é uma característica e uma força do Jair Bolsonaro. Mas vamos levar a mensagem”, afirmou.
Esses movimentos, contudo, carecem de integração. Voltaram ao palco, por exemplo, críticas ao desempenho do presidente nacional interino do PSL, Gustavo Bebianno.
Advogado de Bolsonaro na ação em que é réu por incitação ao crime no Supremo, ele foi colocado na chefia do partido escolhido pelo deputado para disputar o Planalto.
Já teve entreveros com os filhos de Bolsonaro ao defender a ausência em debates, depois modulada por ordem do “zero-um”, como o candidato é conhecido no seu QG de campanha. A mulher do dirigente, Renata, mantinha a agenda da campanha sob um controle quase soviético, para desespero de aliados regionais do deputado.
Há outras arestas. Um dos postulantes à vice de Bolsonaro, o príncipe Luiz Philippe de Orléans e Bragança, disse à revista Crusoé que Bebianno só “faltou cobrar” na negociação fracassada pelo posto.Agora, o dirigente abandonou o Rio e praticamente mudou-se para o Einstein.
Só que ele e os demais integrantes da campanha não têm se reunido para fechar táticas do momento. Bolsonaro, afinal, era o mediador e a palavra final nesses casos. Bebianno não atendeu a reportagem.





















