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Lula diz que gênero e cor não serão critérios para escolha ao STF

O chefe do Executivo tem sido pressionado pela sociedade civil e por aliados a não diminuir a representatividade de mulheres na Suprema Corte, que hoje é de 2 ministras para 9 homens.

 O presidente Lula (PT) afirmou nesta segunda-feira (25) que gênero e cor não serão critérios para a escolha de sucessor da ministra Rosa Weber no STF (Supremo Tribunal Federal).

O chefe do Executivo tem sido pressionado pela sociedade civil e por aliados a não diminuir a representatividade de mulheres na Suprema Corte, que hoje é de 2 ministras para 9 homens. Há ainda uma campanha para que Lula escolha uma mulher negra para o posto.

Rosa deixa a corte na quinta (28). Ela completará 75 anos em outubro, idade limite para integrantes da corte.

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“O critério não será mais esse. Eu estou muito tranquilo por isso que eu tô dizendo que eu vou escolher uma pessoa que possa atender aos interesses e expectativas do Brasil. Uma pessoa que possa servir o Brasil. Uma pessoa que tenha respeito com a sociedade brasileira. Uma pessoa que vote adequadamente sem ficar votando pela imprensa. Sabe?”, disse Lula.

O mandatário afirmou ainda não ter pressa para a escolha do substituto de Rosa e também do novo PGR (Procurador-Geral da República).

O mandato de Augusto Aras à frente da PGR termina nesta terça (26). “Eu não tenho pressa. Não existe nenhuma vinculação com a minha cirurgia. A minha cirurgia é apenas para cuidar da saúde”, afirmou a jornalistas no Itamaraty.

Lula disse que vai ouvir muita gente sobre o tema. “Vocês sabem que sempre tem gente dando conselho. E eu sou muito bom para ouvir conselho, sabe?”.

O presidente vai realizar uma cirurgia no fêmur na próxima sexta (29). Por recomendação médica, ele não viaja nesta semana para São Paulo e Minas Gerais, como era esperado, e utilizará uma máscara para evitar contrair infecções na véspera do procedimento.

Havia uma expectativa de que ele pudesse indicar antes da cirurgia ao menos o sucessor de Aras, hipótese agora refutada.

A crítica a quem possa ficar “votando pela imprensa” ocorre três semanas depois de o mandatário já ter sugerido que votos de ministros da Suprema Corte ficassem sob sigilo. À época, ele disse que seria para não criar “animosidade” com os magistrados e que a sociedade não tem que saber como eles votam.

Depois, Lula seguiu e disse que já ter várias pessoas “em mira”. Mas, questionado sobre o nome do ministro Flávio Dino (Justiça), o presidente se esquivou e disse que vai indicar a pessoa mais correta que ele conhecer.

Dino é hoje considerado o favorito na bolsa de apostas para a indicação ao Supremo. Além dele, outro cotado é o AGU (Advogado-Geral da União), Jorge Messias. Um terceiro nome citado é o do presidente do TCU (Tribunal de Contas da União), Bruno Dantas.

Se não optar pelo nome de uma mulher para a vaga de Rosa Weber, Lula vai reduzir o número de ministras na corte, restando apenas Carmen Lúcia.

No mais recente capítulo da pressão, a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de São Paulo divulgou uma carta para o presidente em que defende a indicação de uma mulher negra para o STF.

O texto, assinado pela instituição e por mais de 30 entidades, foi apresentado durante manifestação na Faculdade de Direito da USP, no Largo São Francisco, região central da capital paulista -mesmo palco em que, no ano passado, foi lida a carta pela democracia durante a eleição.

Ao mesmo tempo em que avalia suas opções para o STF, Lula busca formas de reduzir a pressão e as críticas caso confirme a indicação de mais um homem para a corte. Uma das opções estudadas é a nomeação de uma mulher para o Ministério da Justiça -caso Dino de fato vá para o Supremo- ou para a AGU -caso Messias seja deslocado para outra função na Esplanada.

Mais cedo nesta segunda, o ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais) defendeu que Lula tenha calma e tranquilidade para escolher o novo procurador-geral da República. Se o chefe do Executivo não indicar um novo nome até esta terça, assumirá interinamente Elizeta Maria de Paiva Ramos, vice-presidente do Conselho Superior do Ministério Público Federal.

Para o ministro, isso não seria um problema. “Encerra atual mandato do procurador-geral da República nesta semana, [mas] o Brasil já teve outras situações de interinidade no cargo. O presidente tem que ter calma, tranquilidade. Defendi junto ao presidente que ele não tem que ter qualquer tipo de exigência em relação a esse calendário de definição de nome”, afirmou Padilha a jornalistas, no Palácio do Planalto.

“O presidente não tem que estar preocupado nem pressionado pelo calendário de encerramento do mandato do atual PGR”, completou.

Aras buscava sua recondução e chegou a se encontrar com Lula no Planalto, mas seu nome enfrentou resistências devido à forma como conduziu a PGR durante o governo Jair Bolsonaro (PL), por quem foi indicado ao cargo.

De acordo com auxiliares palacianos, Lula ainda não demonstrou proximidade com nenhum dos cotados à PGR. A avaliação é a de que, de fato, não há pressa.

O petista conversou já também com os dois principais candidatos ao cargo: Paulo Gonet, atual vice-procurador-geral da República, e Antônio Carlos Bigonha. O primeiro tem o apoio de ministros do Supremo, como Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, e do ministro da Justiça, Flávio Dino.

Já Bigonha tem o respaldo de boa parte do PT. Até há pouco, era apontado no Planalto como o favorito.

Aliados que acompanham de perto a questão dizem que Lula não saiu plenamente satisfeito de nenhuma das duas conversas.

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