quarta-feira, março 18, 2026
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Fernando Caruso diz ser confundido com Adnet em imitação de Bolsonaro

"A caracterização da equipe do Zorra é tão incrível que as pessoas não descobriram que sou eu imitando o presidente", disse Caruso

Prestes a completar 20 anos de carreira, o ator e comediante Fernando Caruso, 38, faz sucesso com suas imitações no humorístico Zorra (Globo). Mas uma, em especial, tem rendido boa repercussão. É a imitação oficial do presidente Jair Bolsonaro no programa. E se engana quem pensa que ele recebe xingamentos nas redes sociais por conta do fanatismo de um país polarizado. O motivo é um tanto quanto curioso.

 

“Não queria nem chamar a atenção para isso porque vai estragar. Mas a caracterização da equipe do Zorra é tão incrível que as pessoas não descobriram que sou eu imitando o presidente”, diz Caruso em conversa com a reportagem. “Eu já vi jornalista elogiando o [Marcelo] Adnet pela imitação de Bolsonaro que é a minha. Então, poucos xingam”, completa.

Apesar da quantidade reduzida de detratores, o ator afirma que há sempre os poucos e bons haters. “Quando o Instagram do Zorra me marca, aí dão uma xingada. Mas nesse sentido está tranquilo. Não temo represálias. É de extrema inocência imaginar que alguém que sente naquela cadeira vai ser poupado.”

Filho do chargista Chico Caruso, 70, que segundo ele pagou a sua faculdade tirando sarro de presidente, Fernando Caruso diz que fazer comédia com os governantes é algo histórico. “A hora em que a gente não puder tirar sarro do nosso presidente, acaba a brincadeira”, diz Caruso, ao lembrar que o Casseta e Planeta já fazia isso desde os tempos de Itamar Franco (1930-2011), FHC e Lula.

Para o ator, o Zorra tem aberto caminho para uma nova forma de pensar: “Não temos concorrência, mas confesso que estou um pouco desatualizado.”

Fernando Caruso participou da transição do Zorra Total para o Zorra, em 2015. O programa anterior era bem mais popular, além de adepta dos personagens marcantes e dos bordões. “Ah, como eu tô bandida” e “Tô pagando” eram alguns dos mais icônicos.

Já com a reformulação da atração, os quadros fixos deram espaço a esquetes rápidas e mais politizadas. Para ele, há valor em ambos os programas. “O antigo levava alegria a muita gente e até a regiões menos favorecidas. O novo Zorra faz um humor que durante muito tempo eu ouvi dizer que era excludente, que não poderia passar na TV. Isso aumenta a importância, por abordarmos assuntos que são tabu e não muito falados por aí.”

Essa subversão no humor, diz Caruso, se deve também à mudança da postura da Globo, que decidiu investir em uma linguagem mais direta e jovem no sábado à noite, “considerado um horário nobre e popular”. “A empresa dar espaço e se arriscar com a gente é legal. Volta e meia, eu pego o roteiro e falo: ‘não acredito que podemos falar essas coisas numa TV tão tradicional com tanta história.”

Para ele, o projeto mais interessante da vida continua sendo o humorístico, já que é o do momento. Porém, para 2020, Caruso afirma ter planos de estrear um musical em São Paulo e desenvolver mais quadros em seu canal no YouTube, o Caverna do Caruso.

O canal, aliás, o tem transformado no que ele mesmo chama de “velho reclamão”. Ele explica o motivo: “É divertido fazer, é sempre um papo de bar com um assunto interessante. Embora alimentar esse monstro seja meio estressante.”

“Mas a gente está lá entregando conteúdo de graça e quando reclamam eu fico puto. Volta e meia damos informação imprecisa e vem sempre alguém falar que deveríamos estudar a pauta. É de graça, cara, quer o que? Seu dinheiro de volta? Queria inventar uma ferramenta que obrigasse a pagar R$ 1 por reclamação”, conclui, em tom de brincadeira.

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