O ex-paraquedista britânico Karl Bushby encerrou nesta segunda-feira (2) uma das maiores aventuras já registradas na história: uma jornada ininterrupta de 50 mil quilômetros ao redor do mundo. Após 28 anos na estrada, ele retornou à sua cidade natal, Hull, no norte da Inglaterra, finalizando a “Expedição Goliat”. A viagem começou em 1998, no extremo sul do Chile, com uma regra rigorosa imposta pelo próprio aventureiro: cruzar continentes exclusivamente a pé ou a nado, sem usar transporte motorizado para avançar no trajeto.
Durante as quase três décadas, Bushby atravessou 29 países. Ele enfrentou a perigosa selva de Darién, caminhou sobre o gelo no Estreito de Bering, nadou o Mar Cáspio e concluiu a etapa final nadando pelo Canal da Mancha. Dos 28 anos, ele estima que apenas 15 foram de caminhada efetiva; o restante do tempo foi consumido por burocracias de vistos, a pandemia e até detenções na Rússia. O reencontro mais marcante aconteceu na porta da casa de sua mãe, Angela, que o aguardava com um presente de Natal guardado para cada ano de ausência, além de seu filho de 36 anos e uma neta de 12 que ele conheceu apenas agora.
O espírito de travessia e os desafios em Rondônia
Histórias de travessias épicas ao redor do globo sempre despertam o imaginário, e em Rondônia, o espírito de desbravamento faz parte da própria formação do estado. A região foi moldada por migrantes que enfrentaram dias de viagens exaustivas, estradas de terra e rios amazônicos para construir uma nova vida no Norte do país.
Hoje, os desafios geográficos continuam presentes na rotina rondoniense. Seja enfrentando os atoleiros da rodovia BR-319, que liga Porto Velho a Manaus, durante o rígido inverno amazônico, ou navegando pelos rios Madeira e Guaporé para abastecer comunidades ribeirinhas isoladas, a persistência e a resiliência para superar distâncias extremas são marcas registradas de quem vive e trabalha na Amazônia ocidental.


















