segunda-feira, março 16, 2026
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França convoca embaixador dos EUA após críticas sobre ações contra antissemitismo

Charles Kushner disse que as ações de Emmanuel Macron são insuficientes na "luta contra o antissemitismo"

A França convocou o embaixador dos Estados Unidos no país, Charles Kushner, após comentários que o país europeu considerou inaceitáveis sobre o presidente francês. O diplomata americano disse que as ações de Emmanuel Macron são insuficientes na “luta contra o antissemitismo”.

“As afirmações do embaixador são inaceitáveis. Vão de encontro ao direito internacional, em particular o dever de não interferir nos assuntos internos dos Estados, previsto na Convenção de Viena de 1961, que rege as relações diplomáticas”, escreveu o Ministério das Relações Exteriores da França em comunicado.

Em carta dirigida ao presidente francês, o embaixador manifesta sua preocupação profunda com a onda de antissemitismo na França e “a falta de ações suficientes” do governo para combater o problema.

O texto foi divulgado após críticas do primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, ao presidente francês. O israelense acusou Macron de “alimentar o fogo antissemita” ao pedir o “reconhecimento internacional” do Estado palestino.

Kushner, judeu e cujo filho é casado com a filha do presidente dos EUA, Donald Trump -Ivanka Trump, que se converteu ao judaísmo antes do casamento deles em 2009- assina a carta que foi publicada no jornal Wall Street Journal num contexto de divergências entre França, EUA e Israel.

O embaixador explora no texto argumentos semelhantes aos de Netanyahu. “Declarações que desonrem Israel e gestos de reconhecimento de um Estado palestino encorajam os extremistas, fomentam a violência e colocam em risco [os judeus na França]”, afirma Kushner.

O embaixador ressalta que “não há um dia na França em que judeus não sejam agredidos nas ruas”. Ele mencionou ainda sinagogas e escolas avariadas, além de empresas de judeus atacadas.

Macron tem feito críticas à condução da guerra em Gaza por Netanyahu, particularmente em relação às mortes de civis palestinos, enquanto Trump tem apoiado firmemente o líder israelense.

O presidente da França criticou publicamente o antissemitismo como contrário aos valores franceses e aumentou a segurança para proteger sinagogas e outros centros judaicos em resposta a incidentes antissemitas ligados ao conflito em Gaza.

Os atos antissemitas aumentaram na França desde 7 de outubro de 2023, quando teve início o conflito atual na Faixa de Gaza, após um ataque do Hamas em território israelense.

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