Jovens têm motivos para estarem indignados com a igreja, diz Francisco

As declarações foram dadas em Tallinn, capital da Estônia, no quarto e último dia do tour do pontífice pelos países Bálticos

papa Francisco disse nesta terça-feira (25) que os jovens têm direito de ficarem indignados pelo modo como a Igreja Católica lidou com os casos de abuso sexual pelo mundo e pediu mudanças na organização para manter as novas gerações.

As declarações foram dadas em Tallinn, capital da Estônia, no quarto e último dia do tour do pontífice pelos países Bálticos -ele já passou pela Letônia e Lituânia, mas não tinha feito referência aos escândalos de abusos que atingem a igreja.

O pontífice já foi criticado por grupos de vítimas por não ter tomado medidas suficientes contra bispos ou outros líderes católicos acusados de acobertar os casos.

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“Eles estão indignados pelos escândalos sexuais e econômicos que não são claramente condenados, pelo nosso despreparo de realmente apreciar a vida e a sensibilidade dos jovens, e pelo papel passivo que atribuímos a eles”, disse o pontífice a um grupo de cerca de mil jovens, incluindo católicos, luteranos e ortodoxos.

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“Nós precisamos ser convertidos. Temos que perceber que para ficar a seu lado precisamos mudar as situações que, no fim, acabaram por afastá-los”, disse ele.

A admissão de culpa do papa sobre o modo como lidou com o escândalo aconteceu no mesmo dia que a igreja na Alemanha divulgou um relatório que mostra que 3.677 pessoas foram abusadas por clérigos católicos no país entre 1946 e 2014 – mais da metade das vítimas tinha 13 anos ou menos.

As conclusões do relatório já tinham sido antecipadas pela revista alemã Der Spiegel.

O cardeal Reinhard Marx, que comanda a Conferência dos Bispos Alemães, pediu desculpas nesta terça pelos abusos. “Por muito tempo a igreja olhou para o outro lado, negou, acobertou e não quis que fosse verdade”, disse ele.

As revelações na Alemanha se juntaram a uma série de casos divulgados recentemente em diversas partes do mundo, incluindo no Chile, na Holanda, na Austrália, na Irlanda e nos Estados Unidos.

Os casos ganharam ainda mais importância após o arcebispo italiano Carlo Maria Viganò, ligado a ala conservadora e crítico de Francisco, ter acusado o papa de ter ajudado a encobrir denúncias de abuso contra o cardeal americano Theodore McCarrick. O pontífice se recusou a responder as acusações.

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