A Justiça da Itália marcou para o próximo dia 29 de outubro de 2026 uma nova audiência para analisar o pedido de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP). A data, fixada para após o segundo turno das eleições presidenciais brasileiras, definirá se ela poderá ser enviada ao Brasil para cumprir a pena de 5 anos e 3 meses de prisão.
A condenação foi imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF) devido ao episódio em que Zambelli perseguiu um homem com uma arma em punho nas ruas do bairro dos Jardins, em São Paulo, na véspera do segundo turno das eleições de 2022. O julgamento na Corte brasileira terminou com 9 votos a 2 pela condenação por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal.
Exigências da Justiça italiana
Em julho de 2026, a Justiça da Itália havia anulado a decisão anterior sobre o caso e determinado a realização de um novo julgamento. Naquela ocasião, os magistrados rejeitaram a tese de perseguição política sustentada pela defesa, mas exigiram informações complementares sobre o estado de saúde da ex-deputada — que alega quadros de fibromialgia e desmaios — e sobre as condições que ela enfrentaria no sistema prisional brasileiro. O tribunal agendou a nova data após o recebimento dessas informações enviadas pelo governo brasileiro.
A corte italiana ressaltou que o seu papel não é reavaliar a culpa ou a inocência de Zambelli, mas estritamente verificar se o pedido formal atende aos requisitos da legislação do país e aos tratados internacionais de cooperação.
Precedentes e posicionamento da defesa
Em maio de 2026, a Corte Suprema de Cassação da Itália já havia rejeitado um primeiro pedido de extradição referente a outra condenação de Zambelli, na qual ela recebeu a pena de 10 anos de prisão pelo envolvimento na invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Naquela oportunidade, os magistrados italianos apontaram elementos de dúvida sobre a imparcialidade do STF, citando o acúmulo de funções do ministro Alexandre de Moraes no processo.
Em nota, o advogado de defesa Eduardo Mauricio, que atua em conjunto com os advogados italianos Pieremilio Sammarco e Alessandro Samarco, afirmou esperar que este segundo pedido também seja rejeitado: “O segundo processo de extradição da ex-parlamentar também deve ser negado como foi o 1º processo de extradição, sobretudo pela falta de garantias processuais e a âmbito de direitos humanos e princípios fundamentais”.
A defesa informou ainda que prepara revisões criminais e pedidos de exclusão da difusão na Interpol, argumentando que as condenações no Brasil seriam abusivas e marcadas por perseguição política.

















