segunda-feira, agosto 17, 2026
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EUA avaliam novas sanções contra Alexandre de Moraes, diz jornal

Governo de Donald Trump voltou a discutir medidas contra o ministro do STF, segundo o Financial Times.

O governo dos Estados Unidos avalia impor novas sanções contra Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), em mais um episódio de tensão nas relações entre Washington e Brasília. A informação foi publicada neste domingo (16) pelo jornal britânico Financial Times, que ouviu pessoas familiarizadas com as discussões dentro da administração de Donald Trump.

Segundo o Financial Times, ainda não há uma decisão tomada. A possibilidade de voltar a aplicar sanções contra Moraes está em análise no governo americano e ganhou novo impulso após decisões recentes do magistrado envolvendo uma investigação no Maranhão.

O caso envolve o jornalista Luís Pablo e pessoas apontadas como fontes de reportagens publicadas por ele sobre o ministro Flávio Dino, também integrante do STF. Moraes autorizou buscas contra Raimundo Cutrim, ex-secretário do governo do Maranhão, e Diogo Diniz Lima, ex-secretário da Prefeitura de São Luís.

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Caso envolvendo jornalista chamou atenção dos EUA

As reportagens de Luís Pablo abordaram, entre outros assuntos, o uso de veículos oficiais do Tribunal de Justiça do Maranhão por Flávio Dino e familiares. A investigação apura se informações relacionadas aos deslocamentos do ministro teriam sido obtidas ilegalmente e colocado em risco a segurança de Dino e de sua família.

Segundo o Financial Times, o episódio despertou atenção em Washington por envolver o debate sobre liberdade de imprensa e proteção do sigilo das fontes jornalísticas. Uma pessoa ouvida pelo jornal afirmou que o caso recente se soma a um histórico de ações de Moraes que são questionadas pelo governo americano.

A decisão também provocou críticas de entidades ligadas ao jornalismo no Brasil. Moraes, por outro lado, sustentou que a apuração busca esclarecer a possível obtenção ilegal de dados e não impedir a atividade jornalística. O processo gerou divergências sobre os limites da proteção constitucional ao sigilo da fonte quando existem suspeitas de crimes na obtenção das informações.

Até a publicação da reportagem da Reuters sobre o caso, o STF não havia apresentado comentário sobre a informação de que Washington estudava novas sanções.

Moraes já foi alvo da Lei Magnitsky

Não seria a primeira vez que Alexandre de Moraes enfrentaria sanções dos Estados Unidos. Em 30 de julho de 2025, o Departamento do Tesouro americano incluiu o ministro nas medidas previstas pela Lei Global Magnitsky. Na ocasião, Washington acusou Moraes de violações de direitos humanos, detenções arbitrárias e restrições à liberdade de expressão.

Em setembro daquele ano, o governo americano ampliou as medidas e sancionou Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, e o Lex Instituto de Estudos Jurídicos, empresa ligada à família.

As sanções da Lei Magnitsky podem bloquear bens e interesses patrimoniais mantidos nos Estados Unidos ou sob controle de pessoas americanas, além de restringir transações financeiras e comerciais envolvendo os nomes incluídos na lista do Departamento do Tesouro.

As restrições contra Moraes foram retiradas pelos Estados Unidos em dezembro de 2025, após meses de atrito diplomático entre os dois países.

Novas sanções ainda não estão confirmadas

A reportagem do Financial Times ressalta que a eventual retomada das punições está apenas em discussão. Não há, até agora, anúncio oficial do Departamento do Tesouro ou da Casa Branca sobre uma nova inclusão de Alexandre de Moraes na Lei Magnitsky.

Uma nova medida contra o ministro poderia aprofundar o desgaste entre Brasil e Estados Unidos, que já enfrentam divergências comerciais, diplomáticas e políticas. O Financial Times classificou a possível ofensiva contra Moraes como mais um teste para a relação entre os dois países.

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