A Federação Internacional de Futebol (Fifa) revelou que, entre mais de 17 milhões de publicações em redes sociais analisadas durante a Copa do Mundo deste ano, cerca de 240 mil foram identificadas como ofensivas. Desse total, 20% foram caracterizadas como sendo de cunho racista. O relatório foi divulgado na sexta-feira (9), véspera do Dia Mundial da Saúde Mental.
Bloqueios automáticos e discurso de ódio
O serviço de proteção de redes sociais da Fifa monitorou cerca de 60,7 milhões de mensagens veiculadas nas plataformas da organização e das seleções durante o período da Copa. Do total, houve um bloqueio automático de 9,2 milhões de postagens (15%) antes mesmo de elas serem vistas pelo público. Além disso, 477.217 publicações foram submetidas à revisão humana após apontamento da inteligência artificial.
Conforme o monitoramento, um jogador que não teve o nome divulgado foi vítima de mais de 10 mil mensagens abusivas, sendo 40% delas racistas, além de sofrer com homofobia, sexismo e transfobia. O relatório também cita o caso da senadora paraguaia Celeste Amarilla, que ofendeu o atacante Kylian Mbappé na rede social X, chamando o capitão da França de “colonizado” e “feio”.
Ameaças, xenofobia e seleções mais atacadas
O relatório da Fifa apontou que 15% das publicações revisadas traziam alegações de corrupção, direcionadas em grande parte à própria entidade. O estudo também registrou que 14% eram ameaças violentas — que tiveram um pico após a vitória da Noruega sobre o Brasil, por 2 a 1, nas oitavas de final — e 12% continham ataques xenofóbicos.
A seleção que mais sofreu com os ataques virtuais foi a da França, especialmente no que diz respeito a ofensas de cunho racial (33%). No caso da Inglaterra, ofensas racistas e xenofóbicas, somadas, atingiram 21%. Em ambos os casos, as postagens questionavam a formação dos elencos devido à característica multicultural de ambas as seleções.




















