sexta-feira, março 27, 2026
Início Brasil Política Lula cobra em reunião pressa para reagir a Flávio Bolsonaro

Lula cobra em reunião pressa para reagir a Flávio Bolsonaro

Presidente pressiona base por reação política e aceleração da estratégia eleitoral, diante do avanço do adversário nas pesquisas.

O presidente Lula (PT) cobrou de aliados pressa na estruturação da pré-campanha presidencial durante reunião no Palácio da Alvorada, na segunda-feira (23). A instrução do petista vem no momento em que seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ganha terreno nas pesquisas de intenção de voto.

Ainda segundo relatos, o presidente deu sinais de frustração com os resultados dos levantamentos eleitorais e com a dificuldade de conversão das ações do governo em votos. Ele reclama da falta de energia para reagir à ofensiva bolsonarista.

Nos dias seguintes ao encontro, a cúpula petista instruiu deputados do partido a acirrar o embate político com a oposição, focando especialmente no caso Banco Master. A orientação é para aumentar a repercussão das declarações de Lula sobre o tema e colar o escândalo de fraude financeira no bolsonarismo.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Lula tem recebido regularmente o núcleo de sua pré-campanha para debate de conjuntura e definição de estratégia política-eleitoral.

Na segunda-feira, quando o petista cobrou seus aliados em tom de preocupação, estavam presentes alguns dos principais nomes da coordenação, como o presidente do PT, Edinho Silva, que será o coordenador geral, o ex-presidente da Petrobras Sérgio Gabrielli, que coordenará a elaboração do programa de governo, e o ex-prefeito de Diadema (SP) José de Filippi Jr., que será o tesoureiro.

Entre auxiliares do presidente, a avaliação é a de que o campo adversário avançou na montagem dessa estrutura da pré-campanha. No dia seguinte à reunião no Alvorada, Edinho Silva transmitiu a recomendação do presidente a deputados petistas.

Durante almoço com a executiva bancada do PT na Câmara, o presidente do PT informou que o PL já havia constituído um robusto corpo jurídico e uma assessoria de comunicação. Enfatizando a importância da próxima eleição, defendeu também a necessidade de adesão a jantares de arrecadação, como um programado para abril.

Ele lembrou ainda que, diferentemente do PT, o PL não repassa recursos do fundo partidário para seus diretórios, o que permite maior reserva de recursos para a campanha.

No encontro, instruiu que os deputados reproduzissem mais o discurso de Lula e buscassem maior alinhamento à comunicação do governo. Foi mencionado como exemplo a associação do caso Master à gestão de Roberto Campos Neto à frente do Banco Central, ainda no governo de Jair Bolsonaro (PL).

Em discurso na semana passada, o presidente da República se referiu ao caso Master como “ovo da serpente” deixado pela gestão Bolsonaro. A cúpula do governo julga não ter nada a ver com o escândalo, mas avalia que a fraude tem causado desgaste à imagem da atual gestão.

Outra recomendação é para vinculação do aumento de combustíveis à guerra iniciada pelos EUA. A estratégia é lembrar que o presidente americano, Donald Trump, é apoiado pelos bolsonaristas, enquanto Lula prega a paz.

Além disso, a ideia é questionar por que governadores apoiados por Bolsonaro não aderiram à proposta do governo federal para que abram mão da receita do ICMS sobre combustíveis, permitindo a redução do preço ao consumidor.

Ainda segundo relatos dos participantes, os deputados sugeriram que o governo também faça sua parte, adotando medidas de estímulo à economia popular e liberação de recursos para programas de interesse social.

Ao comentar a falta de estruturação da pré-campanha petista descrita por Edinho, deputados chegaram a lembrar que hoje detêm a máquina governista e seria alarmante supor que o adversário estaria mais bem organizado.

Flávio Bolsonaro foi escolhido por seu pai, preso por tentativa de golpe, para representar o campo bolsonarista na eleição presidencial. Desde o anúncio, no fim do ano passado, Flávio ganhou terreno e agora aparece empatado com Lula nas pesquisas de intenção de voto.

Uma aceleração da pré-campanha, por parte de Lula, é um movimento limitado no momento. A campanha oficial só começa oficialmente em agosto. Até lá os postulantes são proibidos, por exemplo, de pedir voto.

Comentários

Deixe seu comentário