Lula destaca aliança contra a fome no G20 e condena conflito Israel-Hamas em Cúpula Africana

A busca de uma solução para a fome é um dos objetivos do Brasil na presidência do G20, assim como a discussão da dívida de países mais pobres, que também foi destacado por Lula.

Opresidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou hoje na abertura da 37ª Cúpula da União Africana, na Etiópia, e mencionou a criação da Aliança Global contra a Fome no âmbito do G20, atualmente presidido pelo Brasil, e destacou a participação do bloco como membro pleno do G20. Ele voltou a condenar os ataques do Hamas a civis israelenses e a “resposta desproporcional” de Israel, lembrando da situação da Faixa de Gaza.

“A presença da União Africana como membro pleno do G20 será de grande valia. É inadmissível que um mundo capaz de gerar riquezas da ordem de US$ 100 trilhões de dólares por ano conviva com a fome de mais de 735 milhões de pessoas. Estamos criando no G20 a Aliança Global contra a Fome, para impulsionar um conjunto de políticas públicas e mobilizar recursos para o financiamento dessas políticas”, disse o presidente.

A busca de uma solução para a fome é um dos objetivos do Brasil na presidência do G20, assim como a discussão da dívida de países mais pobres, que também foi destacado por Lula. “Cerca de 60 países, muitos deles na África, estão próximos da insolvência e destinam mais recursos para o pagamento da dívida externa do que para a educação ou a saúde. Isso reflete o caráter obsoleto das instituições financeiras, como o FMI e o Banco Mundial, que muitas vezes agravam crises que deveriam resolver”, declarou.

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Ao mencionar o conflito entre Hamas e Israel, Lula condenou excessos dos dois lados, mas defendeu a criação de um Estado palestino, reconhecido como membro pleno das Nações Unidas. O presidente também cobrou o fortalecimento da ONU e um Conselho de Segurança mais representativo, já que a guerra na Ucrânia teria escancarado sua paralisia.

Ele também mencionou a multipolaridade e a consolidação dos BRICS, dizendo que sem os Países em desenvolvimento não será possível a abertura de novo ciclo de expansão mundial, que combine crescimento, redução das desigualdades e preservação ambiental, com ampliação das liberdades. “Crises que decorrem de um modelo concentrador de riquezas, e que atingem sobretudo os mais pobres – e entre estes, os imigrantes. A alternativa às mazelas da globalização neoliberal não virá da extrema direita racista e xenófoba. O desenvolvimento não pode ser privilégio de poucos”, afirmou.

Lula iniciou sua fala de improviso, e ao longo da fala destacou os vínculos entre Brasil e África. “Estamos dispostos a desenvolver programas educacionais na África e a promover intenso intercâmbio de professores e pesquisadores. Vamos colaborar para que a África possa se tornar independente na produção de alimentos e energia limpa”, disse.

Lula cumpriu agenda na cúpula da União Africana neste sábado. Antes da abertura do evento, na Etiópia, ele teve um encontro com o Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, e uma reunião com o Primeiro-Ministro da Autoridade Palestina, Mohammad Shtayyeh. O presidente ainda participa de almoço oferecido pelo primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, e pelo presidente da Comissão da União Africana, Moussa Faki Mahamat.