Putin acusa EUA de serem responsáveis pelo “caos mortal” no Médio Oriente

O Presidente russo, Vladimir Putin, acusou hoje os Estados Unidos de serem os responsáveis pelo "caos mortal" no Médio Oriente, após mais de três semanas de guerra entre Israel e o movimento islamita Hamas, que causou milhares de mortos

“Devemos compreender claramente quem, na realidade, são as fontes da tragédia dos povos do Médio Oriente e de outras regiões do mundo. São as atuais elites dominantes dos Estados Unidos e os seus satélites, que são os principais beneficiários da instabilidade global”, acusou o chefe de Estado russo, durante uma reunião governamental transmitida pela televisão russa.

Putin acusou também hoje a Ucrânia e os “serviços especiais ocidentais” de terem instigado, “inclusive através das redes sociais”, o ataque no domingo à noite ao aeroporto na república russa do Daguestão, de maioria muçulmana, após um voo de Israel ter aterrado na região.

O Presidente russo, que apelou às forças de segurança para garantirem a ordem constitucional e defenderem a harmonia étnica e religiosa na sociedade russa, acusou Kiev de, “sob a direção dos seus patrocinadores ocidentais, tentar provocar ‘pogroms’ [palavra de origem russa que significa uma perseguição deliberada a um grupo étnico ou religioso] na Rússia”.

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Vladimir Putin convocou hoje uma reunião com autoridades responsáveis pela segurança, na sequência da invasão do aeroporto na república russa do Daguestão.

Centenas de pessoas, algumas com cartazes com mensagens antissemitas, correram para a pista do aeroporto de Makhachkala, capital da região predominantemente muçulmana, na noite de domingo, à procura de passageiros israelitas no voo proveniente de Telavive, de acordo com vários meios de comunicação social russos.

Mais de 20 pessoas ficaram feridas, duas destas em estado crítico, adiantou o Ministério da Saúde do Daguestão.

Entre os feridos estavam elementos das forças de segurança e civis, acrescentou a mesma fonte.

Pelo menos 60 pessoas foram detidas na sequência dos distúrbios, referiu o Ministério do Interior local, enquanto o Comité de investigação russo revelou que abriu uma investigação criminal sob a acusação de organização de distúrbios em massa.

Vídeos e fotos nas redes sociais mostraram algumas pessoas na multidão a agitarem bandeiras palestinianas e outras a tentarem capotar um carro da polícia.

Alguns dos manifestantes também surgem a andar pelo terminal, a examinar os passaportes dos passageiros que chegavam, aparentemente na tentativa de identificar aqueles que eram israelitas.

O motim foi posteriormente interrompido e o aeroporto de Makhachkala retomou as operações às 14:00 de hoje [11:00 em Lisboa], referiu a autoridade de aviação civil da Rússia, Rosaviatsia, acrescentando que os voos de Telavive para Makhachkala e Mineralnye Vody, uma cidade na região vizinha de Stavropol, serão redirecionados para outras cidades.

Após a agitação no Daguestão, o gabinete do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, destacou que Israel “espera que as autoridades russas responsáveis pela justiça protejam a segurança de todos os cidadãos israelitas e judeus, onde quer que estejam, e atuem resolutamente contra os desordeiros e contra o incitamento selvagem dirigido contra judeus e israelitas”.

Segundo o líder da comunidade judaica do Daguestão, a polícia teve que assumir a segurança das sinagogas.

Desde o ataque do grupo islamita Hamas em Israel, em 07 de outubro, a Rússia divulgou críticas cuidadosamente calibradas contra ambos os lados do conflito, procurando apresentar-se como intermediário de poder global.

O Kremlin também procurou “apresentar a Rússia como um país religiosamente tolerante”, de acordo com um relatório recente do Instituto de Estudo da Guerra, e Putin reuniu-se na semana passada com líderes religiosos e “elogiou a Rússia como um farol de harmonia religiosa”.

No entanto, na sequência da agitação de domingo no aeroporto de Makhachkala, “o Kremlin provavelmente terá dificuldade em tranquilizar os eleitores de que a situação está sob controlo e convencer o público judeu de que as minorias judaicas estão seguras na Rússia”, afirmou o ‘think tank’ com sede nos EUA.