De olho em boa fase de Bia Haddad e Stefani, Rio Open planeja torneio feminino em 2025

A competição do circuito da WTA poderá voltar ao Brasil em 2025

Em meio à preparação para sua festiva 10ª edição, em fevereiro, o Rio Open já pensa no futuro. E um dos planos da organização para os próximos anos é resgatar o torneio feminino, do qual também é proprietário, de olho no sucesso do tênis feminino brasileiro, encabeçado por Beatriz Haddad Maia. A competição do circuito da WTA poderá voltar ao Brasil em 2025.

O objetivo dos organizadores é trazer de volta para o Brasil a competição feminina que chegou a ser realizada junto com a chave masculina nos três primeiros anos do Rio Open, entre 2014 e 2016. A partir de 2017, a disputa feminina deixou o torneio carioca e foi alugado para outros países. Até 2024, está sob contrato com a Federação de Tênis da Tunísia.

“Queremos trazer de volta o torneio, que está hoje na Tunísia, a partir de 2025. O contrato acaba em 2024”, disse ao Estadão o diretor do Rio Open, Luiz Carvalho. “Já vínhamos estudando isso com carinho antes mesmo do sucesso recente da Bia. E não é apenas uma questão de aproveitar o momento do tênis brasileiro. O fato é que elas merecem um torneio feminino à altura delas no Brasil. Seria um sonho para elas poder jogar um WTA no Brasil.”

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O plano é realizar o torneio em solo brasileiro a partir de 2025. Local e data ainda estão em aberto. A competição, assim, poderia ser realizada em outra grande capital do País. E também em data distante do Rio Open, disputado sempre em fevereiro.

“Estamos começando a consultar o mercado sobre o assunto, tanto patrocinadores quanto a CBT (Confederação Brasileira de Tênis). Vamos olhar lugares em que poderíamos fazer o evento, vamos avaliar datas onde poderíamos encaixar. Ainda não podemos estipular um prazo para bater o martelo. Mas deve acontecer ao longo de 2024. Existe uma vontade enorme de todo mundo de fazer isso acontecer”, explicou.

Luiz Carvalho só garante que a competição não voltará a ser disputada junto do Rio Open por questões de limitações físicas. “O evento masculino e feminino juntos não cabem mais dentro do Rio Open. O evento masculino cresceu muito, as demandas da ATP subiram muito.” O torneio é realizado nas dependências do Jockey Club Brasileiro, no Rio de Janeiro, desde 2014.

O tênis feminino brasileiro vive um dos seus melhores momentos da história nestes últimos anos. Em 2021, Luisa Stefani e Laura Pigossi conquistaram a medalha de bronze nas duplas nos Jogos Olímpicos de Tóquio. Meses depois, no início de 2022, Bia Haddad foi vice-campeã de duplas no Aberto da Austrália. Ao mesmo tempo, Luisa e Bia passaram a se destacar com frequência no circuito e galgando posições de peso nos rankings de simples e de duplas.

Neste ano, Bia fez sua melhor temporada da carreira, alcançando feitos históricos, como a semifinal de Roland Garros e a entrada no Top 10 do ranking pela primeira vez – é a atual 11ª colocada. “A Bia é total apoiadora do torneio feminino, é quase ‘embaixadora’ do evento”, brinca Luiz Carvalho, que é amigo da tenista.

Foi justamente na chave feminina do Rio Open, na primeira edição do evento, em 2014, que Bia fez uma de suas primeiras aparições em torneios deste porte, como convidada da organização. Na época, a tenista tinha 17 anos. Se confirmada a realização da competição, a partir de 2025, o evento será de nível WTA 250.

O Brasil não recebe um torneio deste porte desde 2016, quando Florianópolis sediou competição de um WTA 250 a partir de 2013. Na ocasião, Bia, ainda adolescente, também apareceu na chave como convidada.

EDIÇÃO FESTIVA

Antes de pensar em 2025, os organizadores do Rio Open focam na aguardada edição de 2024, que marcará os 10 anos da competição. Em entrevista ao Estadão, eles revelaram as novidades que devem surpreender os fãs de tênis. A maior aposta será em entretenimento, tanto dentro quanto fora de casa.

O Rio Open terá uma grande tela de LED no fundo de quadra na arena principal, assim como existe no Aberto da Austrália e no US Open. A ideia será entreter o público com mensagens variadas e também atender às demandas dos patrocinadores. Dentro de quadra, o fã poderá assistir à cerimônia de abertura, algo inédito na história do torneio, e diversas homenagens aos tenistas que já foram campeões da competição.

“Vai ser uma edição icônica, muito emocionante. Teremos uma inédita cerimônia de abertura, vai ser forte e muito bonita. E já vai dar o tom do que será a semana do torneio. E estamos tentando trazer grande parte dos campeões anteriores do torneio para fazer uma homenagem, como fez Wimbledon quando celebrou os 100 anos da quadra central. Foi uma cerimônia linda”, revelou Marcia Casz, diretora geral do Rio Open.

O público terá mais espaço para acompanhar as partidas da quadra 2, cuja capacidade será dobrada. Outra atração será um torneio de exibição de cadeirantes. A organização pretende trazer o número 1 do mundo. Um brasileiro, ainda não definido, vai representar o País. Será um dos primeiros torneios de nível ATP 500 a contar com evento deste tipo.

AQUECIMENTO GLOBAL

Ao mesmo tempo, a organização aposta na diversidade e na sustentabilidade, principalmente a ambiental. O aquecimento global entrou no radar de vez, principalmente após sustos e tragédias em outros eventos de grande porte pelo Brasil, como em casos de calor excessivo (que gerou uma vítima num dos shows da cantora americana Taylor Swift) e temporais.

“Vamos ter bebedouros espalhados pelo torneio, locais para os fãs encherem suas garrafinhas. Levamos o assunto a sério. Principalmente o aquecimento global”, explicou Marcia. “Estamos à mercê de tempestades. Nossas estruturas hoje são diferentes em comparação a cinco anos atrás. Estamos preparados, temos a melhor estrutura possível entre as estruturas temporárias. E temos profissionais especializados para antever crises.”

Em novembro deste ano, durante o GP de São Paulo de Fórmula 1, um temporal gerou estragos na estrutura provisória e deixou feridos no Autódromo de Interlagos.