Com pouco espaço para novas covas, Porto Velho abre licitação para compra de gavetas em cemitérios particulares

Cemitérios da capital registram aumento de quase 80% nos sepultamentos pelo coronavírus em fevereiro, em relação a janeiro deste ano.

Devido a alta de casos de Covid-19 em Porto Velho (RO), a prefeitura da cidade abriu licitação, nesta quinta-feira (4), para comprar 1.800 gavetas em cemitérios particulares para enterrar os mortos vítimas da doença.

Segundo a Divisão de Cemitérios, os cemitérios públicos e particulares da capital registraram um aumento de quase 80% nos sepultamentos pelo novo coronavírus em fevereiro, em relação a janeiro deste ano.

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No maior cemitério de Porto Velho, o cemitério de Santo Antônio, praticamente não há mais espaço para ampliar as covas, devido a baixadas no solo ao redor das áreas já utilizadas.

“Aproximadamente de 1 mil a 1,2 mil covas foram abertas de março do ano passado pra cá, a mais, somente de covid. Nós temos uma área rodeada de muitas baixadas, que implica nós trabalharmos e planarmos este local para seguir com esses sepultamentos”, explicou o gerente da divisão de cemitérios, Gilbson Moraes. 

A média diária de enterros por Covid-19 no cemitério Santo Antônio tem sido de pelo menos 6. Das 2.944 mortes pela doença registradas em Rondônia até agora, 1.309 foram na capital. De acordo com o gerente da Divisão de Cemitérios, somando os sepultamentos em cemitério público aos dos privados, foram 110 ocorridos em janeiro e 196 em fevereiro deste anoUm aumento de 78%.

Processo licitatório

 

A medida emergencial realizada pela prefeitura de Porto Velho é de abrir um processo licitatório na forma de pregão eletrônico, nesta quinta-feira (4), para comprar 1800 gavetas de cemitérios particulares.

Gilbson Moraes explica que além disso, o município também abriu um outro processo de concessão pela Parceria Público Privada (PPP) para construção de um novo cemitério.

“A licitação vai tender na criação de um novo cemitério e a empresa ganhadora vai continuar dando manutenção nos cemitérios públicos de Porto Velho, até que se crie um novo cemitério. Nós estamos com a expectativa de dar a continuidade nele, para ele poder, daqui um ano, acabando contrato com o particular, já em seguida, estaremos com o cemitério da concessão pronto”, explicou.

Situação crítica

 

Nos últimos dias, houve um aumento no número de casos de Covid-19 em Rondônia. Na quarta-feira (3), o estado registrou 1.375 novos casos e 28 mortes por Covid-19. O total de casos confirmados da doença chega a 152.563 em todo o estado.

Rondônia está há 38 dias com lotação total dos leitos de UTI. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), os 322 leitos de UTIs estão ocupados no estado e 86 pacientes na fila de espera por uma vaga.

Em entrevista à Rede Amazônica, na quarta-feira (3), o governador de Rondônia, coronel Marcos Rocha (Sem partido), disse estar extremamente preocupado com o avanço desenfreado da pandemia no estado.

“Começamos antes de ontem com 60 pessoas aguardando leitos de UTI, amanhecemos ontem com pouco mais de 90 pessoas aguardando leitos e quando era 17h já tínhamos 102 pessoas esperando […] Já tivemos 20 crianças de zero a 12 anos mortas. São muitas pessoas que perderam suas vidas antes mesmo de serem adultas. Quando olhamos as redes sociais parece um obituário”, desabafou.

“Eu quero ver o nosso estado livre dessa pandemia. Eu quero ver as pessoas curadas, quero ver os nossos hospitais vazios, ver essa pandemia sendo esgotada de perto das nossas famílias”, complementou o governador.

Para tentar impedir a circulação do vírus, um novo decreto foi publicado em edição extra do Diário Oficial na terça-feira (2). Somente serviços essenciais podem funcionar aos finais de semana. O texto mantém toque de recolher de segunda-feira a sexta-feira, entre as 21h e 6h.