‘É uma questão de somar’, diz Mourão sobre Ministério da Saúde ter deixado de divulgar total de mortes por coronavírus

Ministério da Saúde deixou de divulgar acumulado de casos e mortes pela Covid-19 desde o início da pandemia. Vice-presidente deu entrevista coletiva em Porto Velho.

Vice-presidente Hamilton Mourão e o governador Marcos Rocha em coletiva sobre a operação Verde Brasil 2 — Foto: Diêgo Holanda/G1

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, afirmou no domingo (7) em entrevista coletiva em Porto Velho não estar preocupado com as mudanças na forma como o Ministério da Saúde divulga os números da pandemia do novo coronavírus. Segundo ele, “é uma questão de somar”.

Desde sexta-feira (5), o ministério mudou a forma de divulgação dos indicadores da doença no país, deixando de apresentar alguns dados consolidados. O total de casos e de mortes deixou de ser informado, com apresentação apenas dos dados das últimas 24 horas (leia mais abaixo). Na noite de domingo, o governo divulgou dois balanços de mortes e casos por Covid-19 com números diferentes e não explicou o motivo da divergência.

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Durante entrevista coletiva no domingo, o vice do presidente Jair Bolsonaro afirmou que a decisão pela mudança no formato de divulgação dos boletins da Covid-19 não passa por ele, mas acredita que os órgãos de controle devem apontar caso ocorra alguma irregularidade na divulgação dos boletins.

“Em relação ao dados do Ministério da Saúde, a única coisa que eu vi, essas decisões não passam por mim, foi que os dados tão sendo transmitidos mais pra tarde, dentro de uma questão de buscar os dados mais corretos e não está havendo somatória. Eles estão divulgando o número de casos confirmados e aquele dado que nenhum de nós gosta que é de óbitos. É uma questão de somar os dados”, disse.

O boletim diário do Ministério da Saúde sobre o novo coronavírus divulgado na última sexta-feira trazia apenas o número de recuperados, novos casos e mortes registrados nas últimas 24 horas. Antes, o quadro apresentava também os números totais, registrados desde o início da pandemia.

“Eu não tenho preocupação com isso [a forma como os dados são divulgados] porque os organismos de controle, nós temos o Tribunal de Contas, a Controladoria Geral da União, Ministério Público, e se houver alguma irregularidade no governo aí ela será apontada”, declarou Mourão, que esteve em Porto Velho para se reunir com integrantes da operação Verde Brasil 2, contra crimes ambientais na Amazônia.

Outra alteração na divulgação de dado pelo Ministério da Saúde é o horário. O boletim passou a ser divulgado pelo ministério por volta das 22h. Inicialmente, essa divulgação ocorria às 17h, depois passou para 19h.

Desde o dia 16 de maio, o Ministério da Saúde não tem um ministro titular. O general Eduardo Pazuello assumiu como interino após a demissão de Nelson Teich (a segunda em meio à pandemia). Desde então, 25 militares já foram nomeados para substituir técnicos da pasta.

Operação Verde Brasil 2

Mourão e os governadores do Acre, Gladson Cameli, e de Rondônia, Marcos Rocha, participaram de uma reunião na 17ª Brigada de Infantaria de Selva (17BIS), em Porto Velho, para discutir as ações da Operação Verde Brasil 2 em Rondônia, Acre e Sul do Amazonas.

Durante a coletiva não foram apresentados balanços da operação como quantidade de madeira apreendida, multas ou prisões. O prazo estabelecido para que a operação termine é o dia 10 de junho.

A Verde Brasil 2 visa realizar ações preventivas e repressivas contra delitos ambientais na Amazônia Legal que engloba os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do Maranhão.

No dia 7 de maio foi publicado o Decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) no Diário Oficial da União em que o presidente Jair Bolsonaro autorizou o envio de tropas das Forças Armadas para combater focos de incêndio e desmatamento ilegal na região.

A Operação Verde Brasil 2 é coordenada pelo Ministério da Defesa, em apoio aos órgãos de controle ambiental e de segurança pública.