A Meta, multinacional responsável pelo Instagram, Facebook e WhatsApp, negou publicamente as acusações da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que estaria a interferir no processo eleitoral brasileiro para beneficiar a candidatura de Flávio Bolsonaro. Em comunicado oficial, a tecnológica classificou os apontamentos como falsos e sustentou que os problemas técnicos relatados não tiveram como destinatário nenhum candidato em particular.
De acordo com o esclarecimento divulgado pela empresa, as alegações apresentadas pela equipa da candidatura petista não têm sustentação nos factos. A direção da Meta explicou ainda que parte das instabilidades mencionadas decorreu de anomalias que atingiram em simultâneo outros mercados e diferentes perfis nas redes. A resposta surge após a campanha presidencial queixar-se de constrangimentos na promoção de publicações entre sexta-feira e sábado, bem como de quebras na contabilidade de visualizações em conteúdos oficiais desde o final do ano anterior.
Disputa digital e prazo fixado pelo TSE
Em declarações públicas, os representantes da candidatura de Lula sustentaram que as falhas operacionais criam desequilíbrios na disputa da segunda volta, afetando a execução da estratégia comunicacional nas plataformas. Em contrapartida, a Meta reiterou o cumprimento escrupuloso das normas eleitorais brasileiras e reafirmou o compromisso com o tratamento equitativo de todos os utilizadores dos seus serviços.
Perante o diferendo, o Tribunal Superior Eleitoral interveio no processo através de uma decisão interlocutória assinada pelo ministro Marco Aurélio Bellizze. A autoridade judicial determinou que a tecnológica apresente esclarecimentos técnicos pormenorizados sobre as ocorrências no prazo limite de 48 horas.
O peso da comunicação digital em Rondônia
A dependência do ambiente virtual nos pleitos eleitorais modernos assume uma dimensão estratégica em estados geograficamente extensos como Rondônia. Com municípios separados por centenas de quilómetros e vastas áreas rurais, os comités de campanha no interior rondoniense recorrem predominantemente ao WhatsApp e ao Instagram para fazer chegar as suas propostas e mobilizar o eleitorado, superando os custos logísticos dos comícios tradicionais. Deste modo, eventuais anomalias técnicas ou bloqueios na distribuição de publicações nas grandes redes têm a capacidade direta de condicionar o fluxo informativo e a formação de opinião mesmo nos núcleos populacionais mais afastados dos grandes centros urbanos.

















