quarta-feira, outubro 14, 2026
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Margareth Menezes criou projeto que transforma vidas antes de ser ministra

Muito antes de assumir a gestão do Ministério da Cultura em 2023, a cantora e compositora Margareth Menezes (64) estruturou uma das ações comunitárias mais duradouras da Bahia. Em 2004, a artista fundou a Associação Fábrica Cultural na Península de Itapagipe, em Salvador, com foco no desenvolvimento social por meio da arte, da educação e do trabalho.

A organização civil sem fins lucrativos nasceu para criar oportunidades econômicas para jovens e adultos em situação de vulnerabilidade social. O projeto escolheu como base a Ribeira, bairro tradicional da Cidade Baixa onde a cantora viveu sua juventude e iniciou a trajetória artística.

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As raízes da Fábrica Cultural na Península de Itapagipe

A entidade iniciou seus trabalhos ocupando um galpão histórico da antiga Fábrica de Tecidos Santa Veridiana, na orla da Baía de Todos-os-Santos. A proposta original reuniu cursos práticos de capacitação técnica, oficinas de artesanato, costura, serigrafia e formação musical, unindo a identidade cultural afro-baiana às demandas do mercado produtivo.

A artista exerceu papel ativo na presidência da organização ao longo de quase duas décadas. Ela deixou as funções executivas da entidade ao aceitar o convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (81) para liderar a pasta da Cultura no governo federal, cumprindo exigências legais de desincompatibilização.

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Margareth Menezes

A vitrine econômica do Mercado Iaô

Entre as iniciativas mais conhecidas do projeto está o Mercado Iaô, criado para servir como centro de comercialização e intercâmbio entre criadores locais. O espaço abriga feiras regulares que reúnem artesãos, culinaristas, designers e artistas em apresentações musicais abertas ao público.

A dinâmica do evento estimula a circulação de renda dentro do próprio território de Salvador. De acordo com informações da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais da Bahia (Sepromi), a iniciativa atua como ferramenta direta de inclusão socioprodutiva da população negra, oferecendo visibilidade para quem produz na periferia.

Capacitação técnica com o Acelera Iaô

Para expandir o alcance da formação profissional, a entidade lançou o programa Acelera Iaô. O projeto atua na qualificação de micro e pequenos empreendedores criativos, com foco prioritário em negócios geridos por mulheres e pessoas negras da Bahia.

A iniciativa oferece trilhas de aprendizagem em setores como moda, gastronomia, artesanato e música. As formações abordam conteúdos práticos de planejamento de negócios, precificação, marketing digital e estruturação de marca, auxiliando na sustentabilidade financeira dos empreendimentos.

Legado institucional e atuação independente

Em março de 2024, a Associação Fábrica Cultural celebrou vinte anos de história, marco coincidente com o aniversário de fundação de Salvador. Ao longo de sua trajetória, a instituição acumulou parcerias com o setor público e empresas privadas para manter o atendimento gratuito em suas oficinas e editais.

Desde a transferência de sua fundadora para Brasília em 2023, a ONG manteve as atividades sob coordenação de uma equipe técnica autônoma. O espaço físico na Ribeira permanece em operação contínua, voltado ao fortalecimento comunitário e à valorização das manifestações populares do estado.

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Fonte: Revista Caras

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