Conselho da ONU debate hoje em Genebra situação dos direitos humanos na Ucrânia

O debate acontece 48 horas depois de os Estados Unidos (EUA) terem sugerido que a Rússia seja excluída do conselho

O Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) realiza nesta quinta-feira (3) em Genebra debate urgente sobre a situação dos direitos humanos na Ucrânia, resultante da agressão russa.

O debate acontece 48 horas depois de os Estados Unidos (EUA) terem sugerido que a Rússia seja excluída do conselho, formado por 47 países que passam por processo de seleção para integrar o órgão, por períodos de três anos.

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A situação dos direitos humanos “vai agravar-se” ainda mais se o presidente russo, Vladimir Putin, ganhar a guerra, advertiu, na terça-feira (1º), o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, na 49ª sessão do conselho, que começou segunda-feira (28) e vai até 1º de abril.

“A Rússia bombardeia escolas, hospitais e áreas residenciais, destrói infraestruturas essenciais que permitem que milhões de ucranianos tenham acesso a água potável, gás e eletricidade, sem os quais morrem de frio”, acusou Blinken.

Também na terça-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, deveria ter ido pessoalmente a Genebra, mas cancelou a viagem, invocando as “sanções antirrussas” que o proíbem de sobrevoar a União Europeia.

Em vez disso, gravou discurso, que muitas delegações dos países ocidentais e a delegação da Ucrânia boicotaram, com os representantes diplomáticos abandonando ostensivamente a sala no início da apresentação.

Na abertura do conselho, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou que a escalada das operações militares da Rússia na Ucrânia “está levando a um aumento das violações dos direitos humanos”.

A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, lembrou que, ao longo da história, existiram “momentos de profunda gravidade, que dividiram o curso dos acontecimentos entre antes e depois, muito diferente, mais perigoso”. Sobre a Ucrânia, afirmou: “Estamos num ponto de virada”.