quinta-feira, maio 7, 2026
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Trocar de partido é só trocar de problema, diz Janaina sobre Bolsonaro

Janaina já criticou posições do PSL e teve atritos com seus colegas de bancada

A deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP), eleita com mais de 2 milhões de votos no ano passado, afirmou nesta quarta (9) que trocar de partido é apenas trocar de problema.

Em nota enviada à reportagem, a deputada comentou a possibilidade de o presidente Jair Bolsonaro deixar o PSL. “Penso que trocar de partido só implica trocar de problema. Sair é um direito dele. Mas, em pouco tempo, ele estará infeliz no próximo. Não é uma praga, é só uma constatação”, afirmou a deputada.

Recordista de votos na disputa eleitoral, Janaina defende candidaturas independentes e não se envolve em questões partidárias. Ela já criticou posições do PSL e teve atritos com seus colegas de bancada.

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Em maio, por exemplo, sinalizou que sairia do partido após desentendimento com outros deputados da sigla num grupo de WhatsApp, mas voltou atrás. Na ocasião, ela se colocava contra a convocação de manifestação de apoio a Bolsonaro.

Para o partido, no entanto, é um importante ativo. Por causa de sua votação expressiva, o PSL conquistou a maior bancada da Assembleia Legislativa de São Paulo, com 15 deputados.

“Ficar, ou não, em um partido é uma decisão muito pessoal. Como defensora das candidaturas independentes de partidos, eu compreendo o desconforto do presidente. Por outro lado, pondero que o presidente vem, já há um bom tempo, trocando de partidos sucessivamente”, afirma Janaina.

Desde que entrou na política após passar para a reserva remunerada do Exército, em 1989, Jair Bolsonaro foi filiado a cinco partidos diferentes.

Oficialmente, nos registros da Justiça Eleitoral, ele passou por oito agremiações, mas três delas eram fusões ou novas denominações de outros partidos -PDC, PPR e PPB, oriundos ou que deram origem ao partido hoje conhecido como PP.

O presidente integrou o PP (Partido Progressista), o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), o PFL (Partido da Frente Liberal), o PSC (Partido Social Cristão) e, desde 2018, o PSL (Partido Social Liberal).

Ele também chegou a ser anunciado como filiado ao PEN-Patriota, em janeiro de 2018, mas desistiu e se filiou ao PSL, no qual se elegeu presidente da República.

Questionada sobre a possibilidade de seguir Bolsonaro e deixar o PSL, como alguns deputados federais da sigla já indicaram que pretendem fazer, Janaina disse que “não tem essa hipótese”.

“A gente não pode”, respondeu a deputada, lembrando que é necessária uma janela partidária para que os deputados troquem de sigla e mantenham o mandato. “Tem uma discussão jurídica. Pode até entrar com processo, vai ser uma dor de cabeça horrenda.”

A deputada enfatizou sua preferência pelas candidaturas independentes de partidos. “A minha esperança é a gente conseguir aprovar as candidaturas avulsas. Não por mim, mas pelo país. A gente se livra de partido.”

A deputada disse ainda que “partido não presta, nenhum presta”.

Vice-presidente do PSL em São Paulo, o deputado estadual Gil Diniz, que é ligado e subordinado ao deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), presidente estadual da sigla, diz que espera uma orientação do presidente Jair Bolsonaro sobre deixar o partido.

Gil disse que o ideal é que o PSL expulse os descontentes, para que possam migrar sem perder o mandato. “Mas em último caso, se for essa orientação, eu sigo o presidente e deixo o PSL mesmo que eu perca o mandato.”

Enquanto a situação não se resolve, Gil afirma que continuará trabalhando para lançar candidatos a prefeito no ano que vem. “O trabalho continua, os diretórios municipais, as filiações”, disse.

Para ele, uma debandada do PSL não atrapalharia a eleição de prefeitos bolsonaristas no ano que vem. “Quem tem o capital político é Bolsonaro, não o PSL. Podemos até apoiar candidatos de outros partidos.”

Gil e Eduardo fazem parte da ala do partido fiel a Bolsonaro e que vê com desconfiança a deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP), que pretende concorrer à Prefeitura de São Paulo no ano que vem.

Segundo Gil, é preciso esperar para ver se Joice seguirá no PSL ou se irá atrás de Bolsonaro em outro partido.

CRISE NO PSL

Bolsonaro está incomodado com o presidente nacional da sigla, deputado Luciano Bivar (PE). Na terça (8), pediu a um apoiador que não divulgasse um vídeo no qual seu nome era mencionado junto do PSL e de Bivar porque o dirigente está “queimado para caramba”.

Ainda não foi definido o futuro partidário do presidente, que está filiado ao PSL há menos de dois anos. As legendas maiores não querem receber Bolsonaro porque veem nele uma tentativa de assumir o comando da agremiação à qual se vincular.

A crise de Bolsonaro com o PSL ganhou nova dimensão na manhã de terça, quando ele pediu que um apoiador esquecesse o partido e disse que Bivar estava “queimado para caramba”.

“Esquece o PSL, esquece o PSL, ta ok?”, cochichou Bolsonaro no ouvido do apoiador que o esperava na porta do Palácio da Alvorada, na terça, para gravar um vídeo.

Um jovem aparentando ter entre 20 e 30 anos se aproximou do presidente com um celular para fazer um vídeo dizendo: “Eu sou do Recife, pré-candidato do PSL”.

Bolsonaro pede então que ele esqueça a legenda, mas o apoiador insiste. “Eu, Bolsonaro e Bivar juntos por um novo Recife, aê!”, grita o jovem enquanto registra a cena com um celular em posição de selfie.Ao perceber que foi gravado, o presidente então pede que a imagem não seja divulgada.

“Ô cara, não divulga isso não, pô. O cara [Bivar] tá queimado para caramba lá. Vai queimar o meu filme também. Esquece esse cara, esquece o partido”, afirmou.

O PSL enfrenta uma crise desde que foi atingido por suspeitas de candidaturas de laranjas, caso revelado pelo jornal Folha de S.Paulo em fevereiro e que já resultou na queda do ex-chefe da Secretaria-Geral, Gustavo Bebianno.

Entre os suspeitos de irregularidades está Bivar, que é deputado federal, e o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio. “Não há, da parte do presidente, agora, nenhuma formulação com relação a uma suposta transição do partido”, afirmou o porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros, na segunda (7).

Em fevereiro, a Folha de S.Paulo revelou que o hoje ministro do Turismo de Bolsonaro patrocinou em 2018, quando era presidente do PSL-MG e candidato a deputado federal, o desvio de verbas públicas do partido por meio de quatro candidatas do interior de Minas.

Apesar de figurarem no topo das que nacionalmente mais receberam dinheiro público do PSL, R$ 279 mil, as quatro não apresentaram sinais evidentes de que tenham realizado campanha e, ao final, reuniram, juntas, apenas 2.074 votos.

Parte dos recursos que Álvaro Antônio direcionou a elas, como presidente estadual da sigla, foi parar em empresas ligadas a assessores e ex-assessores de seu gabinete na Câmara.

Álvaro Antônio foi alvo de denúncia pelo Ministério Público Federal na última sexta (4).

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