Hospitais particulares de Porto Velho estão perto da ocupação máxima dos leitos de UTI, segundo sindicato do setor

Representantes de hospitais privados participaram da coletiva diária da Sesau. Falta de materiais, equipamentos e profissionais disponíveis foram apontadas.

Representantes da rede hospitalar privada de Porto Velho alertaram que as unidades estão trabalhando no limite da capacidade dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) devido a pandemia do novo coronavírus. A informação foi dada na coletiva dequinta-feira (4) da Secretaria Estadual de Saúde (Sesau). Segundo a pasta, o estado tem 6.459 casos confirmados de Covid-19.

Rafael Augusto Oliveira, presidente do sindicato que representa os estabelecimentos privados de saúde, reforçou que, neste momento, hábitos de higiene e distanciamento social ganham ainda mais importância para evitar um colapso total do sistema.

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Augusto esclareceu que mesmo pessoas com condições de pagar por uma internação em UTI particular podem ficar sem atendimento, dada a lotação das unidades com o avanço da pandemia em Rondônia.

“Independente da condição financeira, quem tem ou não plano de saúde, não temos mais capacidade de dar assistência em uma UTI porque já chegamos no máximo aqui na capital. Não vai ter nem para o rico, nem para o outro que não tem plano de saúde. Está todo mundo no mesmo barco”, declarou.

Rafael Horácio, o coordenador da comissão Covid-19 do Hospital 9 de Julho, disse que pacientes estão sendo tratados na enfermaria pois não há leitos disponíveis para todos, e que assim que a unidade de saúde consegue adquirir um novo respirador, o leito logo é ocupado.

“Nós temos uma demanda de pacientes graves que a gente está controlando em enfermaria porque nós não temos leitos para oferecer para todos. Nós não estamos dentro do nosso limite, nós ultrapassamos o nosso limite”, disse Rafael.

Robson Jorge Bezerra, presidente da Unimed Porto Velho, disse que as unidades privadas têm condições de investir no aumento de leitos, mas há dificuldades para adquirir insumos e medicamentos.

Ele lembrou que, na manhã desta quinta-feira (4), três leitos ficaram vagos com duas altas de pacientes e um óbito, mas que eles voltaram a ser ocupados novamente em poucas horas.

“Hoje é mais do que nunca, independente de questão social, ficar em casa. O isolamento é extremamente necessário. Que as pessoas se conscientizem porque as unidades estão nos seus limites”, afirmou.

Atualmente 350 pacientes estão internados com Covid-19 em Rondônia, sendo 229 na rede pública estadual, segundo a Sesau.

Na rede estadual os hospitais Samar, Hospital de Base, Cemetron e Regional de Cacoal estão com todos os leitos de UTI ocupados.

A Assistência Médica Intensiva (AMI), que tem apenas leitos de UTI, tem mais de 90% de ocupação e o Hospital João Paulo II e Hospital de Amor (contratado pelo Estado) têm 75% da capacidade ocupados.

Até esta quinta-feira, Rondônia registrava mais de 6,4 mil casos confirmados e 194 mortes pelo novo coronavírus.