Pelé, a lenda do seu tempo

A íntegra das considerações do Professor Nazareno

O ano de 2022 se despede dos brasileiros da pior maneira possível, pois uma tristeza avassaladora tomou conta de corações e mentes depois de termos vividos duas grandes alegrias durante o ano que ora se encerra: morreu Pelé, o eterno rei do futebol e figura ímpar no mundo desse esporte. Depois da derrota do Fascismo com Jair Bolsonaro nas últimas eleições e da desclassificação da fraca seleção brasileira na Copa do Mundo do Catar, muita gente esperava terminar o ano “curtindo” esse ar de felicidade que havia precariamente se instalado no país. Mas, mesmo já esperado, veio o revés. Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, que segundo a revista Veja “sempre foi o eterno camisa 10, o atleta do século XX e também o brasileiro mais conhecido de todos os tempos no mundo inteiro, é a partir de hoje uma lenda”. Ele foi a primeira estrela do futebol que brilhou no mundo.

O “Rei do futebol” foi reverenciado por todos os cronistas esportivos como o melhor jogador desse esporte em todos os tempos. Exagero! Pelé realmente foi fenomenal com a bola nos pés e os muitos títulos que ganhou mundo afora jogando pelo Santos e pela seleção brasileira não deixam quaisquer dúvidas. Porém é bom informar que ele abriu o caminho para infinitas outras estrelas que também brilharam com suas equipes. Pelé foi bom porque foi o primeiro a fazer o que queria com uma bola e era praticamente a única estrela a brilhar naqueles tempos. Na sua época não havia zagueiros tão bons como existem hoje em dia. Nem laterais combativos. Não havia o futebol inteligente como o jogado hoje e muito menos a dedicação do mundo inteiro para com o esporte das multidões. Altos salários, táticas invejáveis, excelente preparo físico e escolas modernas.

Dizer que Pelé foi o melhor de todos os tempos é a mesma coisa que dizer que os Beatles, por exemplo, também foram os melhores na música pop. Os rapazes de Liverpool foram bons, é claro, mas depois outros artistas continuaram fazendo até mais sucesso do que eles. Guardadas as devidas proporções, é a mesma coisa falar que Campina Grande e Caruaru têm o melhor São João do mundo e que não há melhor festival de Boi-bumbá do que em Parintins. O “atleta do século XX” foi incrível, mas Garrincha também foi. Eusébio de Portugal e Puskás da Hungria nem merecem comentários. Gerd Muller da Alemanha, Lato da Polônia e o holandês Johan Cruyff também encantaram o mundo com uma bola nos pés. Isso para não falar em Maradona e Lionel Messi da Argentina. E aqui tivemos Zico, Falcão, Sócrates, Ronaldo, Rivaldo, Neymar, Gerson, Rivelino e Romário.

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E outra: Pelé não ganhou três copas do mundo para o Brasil como se fala. Só ganhou uma, embora tenha participado de quatro. Em 1970 no México, o cara foi imbatível e se não fosse ele, não teríamos trazido aquela taça. Em 1958 na Suécia ele participou só de algumas partidas e em 1962 no Chile, contundido, quase não jogou. Em 1966 na Inglaterra, o Brasil com Pelé e tudo, sequer passou da fase de grupos. O incrível e brilhante Eusébio de Portugal mandou a nossa seleção bem mais cedo para casa. Em copas do mundo Pelé fez apenas 12 gols e já na próxima competição deverá ser superado por Mbappé da França que hoje também tem 12. Ronaldo do Brasil, Klose da Alemanha e até o Messi têm mais gols em copas do que o rei daqui. É lamentável sob todos os aspectos a morte do Pelé, mas ele já fazia parte do passado e o futebol jogado hoje é moderno, dinâmico e na raça. Não há mais espaço para as firulas e nem para majestades.

*Foi professor em Porto Velho