Bachelet pede ação unificada diante de violações de direitos humanos

Ela falou na 47ª sessão do conselho da ONU

A alta comissária para os Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), Michelle Bachelet, pediu hoje (21) um esforço concertado diante dos “maiores e mais graves retrocessos” dos direitos humanos que já se viu.

“Para nos recuperarmos dos maiores e mais graves retrocessos dos direitos humanos jamais vistos, devemos ter uma visão de mudança e uma ação concertada” para aplicar, disse Bachelet em discurso aos membros do Conselho dos Direitos Humanos da ONU, que iniciou hoje sua 47.ª sessão.

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“Precisamos de sociedades que, embora diversas, partilhem compromissos fundamentais para reduzir as desigualdades e fazer avançar todos os direitos humanos”, afirmou a ex-presidente chilena.

Em relação aos abusos cometidos no mundo, ela se declarou “profundamente perturbada” pelas “graves violações” dos direitos humanos na região etíope do Tigray, onde a situação humanitária é “terrível” com mais de 350 mil pessoas em risco de fome.

A alta comissária denunciou abusos contra os civis “de todas as partes no conflito” e enumerou execuções extrajudiciais, detenções arbitrárias, violências sexuais contra adultos e crianças, assim como deslocamentos forçados.

“Relatos credíveis indicam que soldados eritreus continuam a atuar no Tigray e a perpetrar violações dos direitos humanos e da lei humanitária”, afirmou.

Bachelet disse ainda esperar conseguir este ano um “acesso significativo” à região chinesa do Xinjiang, sobre a qual “continuam a aparecer informações sobre graves violações dos direitos humanos”.

Várias organizações de defesa dos direitos humanos acusaram a China de ter internado em Xinjiang pelo menos 1 milhão de muçulmanos uigures em “campos de reeducação”.

Pequim desmente o número e fala de “centros de formação profissional” para apoiar o emprego e combater o extremismo religioso.

Em relação à China, Bachelet lembrou ter passado um ano desde a aprovação da Lei de Segurança Nacional em Hong Kong, sobre a qual o Alto-Comissariado dos Direitos Humanos da ONU expressou “sérias preocupações”.

Entre as numerosas situações de retrocesso, ela citou ainda a da Rússia, apelando a Moscou para “respeitar os direitos civis e políticos”, tendo em conta as eleições legislativas de setembro.

“Estou consternada com as medidas recentes que minam ainda mais o direito das pessoas de exprimirem opiniões críticas e a sua capacidade de participar das eleições legislativas previstas para setembro”, disse a representante da ONU, citando o caso do opositor russo Alexei Navalny e o desmantelamento do seu movimento.

“A legislação que restringe as liberdades de expressão, de reunião pacífica e de associação deve respeitar as normas e padrões internacionais em matéria de direitos humanos”, observou.

Bachelet também pediu a Moscou o fim da prática arbitrária de qualificar indivíduos, jornalistas e organizações não governamentais (ONG) de “extremistas”, “agentes estrangeiros” ou “organizações indesejáveis”.