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Indígenas fazem manifestação em Porto Velho contra PL do marco temporal

Manifestação é pacífica e conta com a presença de lideranças e indígenas de vários municípios de Rondônia.

Lideranças e indígenas de várias etnias se reuniram em frente à sede da Assembleia Legislativa do Estado de Rondônia (ALE-RO), na manhã desta terça-feira (30), em uma manifestação contra o contra o Projeto de Lei (PL) 490, que prevê a aplicação do marco temporal na demarcação de terras indígenas.

O projeto teve urgência aprovada na última quarta-feira (24) e pode ser votado nesta terça (30) pela Câmara dos Deputados.

A manifestação é pacífica e começou por volta das 9h30 da manhã. Aos poucos, indígenas de vários municípios se juntaram ao movimento. Nas primeiras horas, mais de cem pessoas estavam reunidas.

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Indígena manifesta em Porto Velho com cartaz "território é vida" — Foto: Jhennifer Núbia/Rede Amazônica
Indígena manifesta em Porto Velho com cartaz “território é vida” — Foto: Jhennifer Núbia/Rede Amazônica

Os indígenas seguram cartazes e faixas contra a PL 490, com dizeres como: “nossa história não começa em 1988” e “território é vida”.

Uma das integrantes e organizadoras do movimento é a Txai Suruí, ativista indígena do povo Paiter Suruí. Uma das lideranças indígenas mais conhecidas por lutar contra o desmatamento na Amazônia e fundadora do Movimento da Juventude Indígena de Rondônia.

Segundo Txai, sua presença na manifestação busca evitar a morte do seu povo e também do meio ambiente. Isso porque, segundo ela, onde há povo indígena, também há preservação, logo essa não é uma luta apenas dos povos indígenas, mas uma luta pela humanidade.

Indígenas seguram cartazes "nossa história não começa em 1988"  — Foto: Jhennifer Núbia/Rede Amazônica
Indígenas seguram cartazes “nossa história não começa em 1988” — Foto: Jhennifer Núbia/Rede Amazônica

O que prevê o projeto de lei 490?

O PL 490/2007 determina que são terras indígenas aquelas que estavam ocupadas pelos povos tradicionais em 5 de outubro de 1988.

Na prática, a tese permite que indígenas sejam expulsos de terras que ocupam, caso não se comprove que estavam lá antes de 1988, e sem consideração sobre os povos que já foram expulsos ou forçados a saírem de seus locais de origem.

Processos de demarcação de terras indígenas históricas, que se arrastam por anos, poderão ser suspensos.

Além da implementação do marco temporal, o texto também proíbe a ampliação de terras que já foram demarcadas previamente, independentemente dos critérios e da reivindicação por parte dos povos indígenas interessados.

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