O mercado financeiro reviu em baixa a sua estimativa para a taxa básica de juros, a Selic, projetando agora que termine o ano nos 13,50%. Esta alteração surge cinco dias após o Comité de Política Monetária (Copom) ter efetuado um corte de 0,25 pontos percentuais, fixando a taxa atual nos 13,75%.
De acordo com a análise do mercado, este cenário reforça a perspetiva de que o atual ciclo de juros será alvo de uma flexibilização nos próximos meses, acompanhando o controlo relativo da inflação. Para os anos seguintes, as estimativas apontam para uma Selic de 12% em 2027, 10,50% em 2028 e 10% em 2029.
Perspetivas para a inflação e economia
No que diz respeito à inflação oficial, medida através do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o mercado efetuou uma ligeira revisão em alta para o ano de 2026, passando a previsão de 4,90% para 4,92%. Para 2027 e 2028, as expectativas de inflação mantêm-se inalteradas nos 4,30% e 3,80%, respetivamente.
As projeções para o crescimento da economia brasileira também sofreram ajustes ligeiros. A previsão de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) para 2026 recuou de 1,89% para 1,88%, enquanto para 2027 a descida foi de 1,45% para 1,43%. No mercado cambial, as estimativas mantiveram-se estáveis, projetando-se a moeda norte-americana a 5,20 reais em 2026, 5,28 reais em 2027 e 5,30 reais em 2028.
O impacto da Selic no mercado
A taxa Selic funciona como o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação no país. Quando os juros estão elevados, o acesso ao crédito torna-se mais dispendioso, o que refreia o consumo e ajuda a conter a escalada dos preços, estimulando simultaneamente a poupança. Em contrapartida, a descida das taxas visa impulsionar a atividade económica, facilitar o crédito e fomentar o investimento.
É ainda de notar que os bancos comerciais avaliam outros fatores ao definir os juros aplicados ao consumidor final, tais como o risco de incumprimento, as despesas administrativas e a margem de lucro da própria instituição.

















