sábado, setembro 19, 2026
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Economia brasileira apresenta recuo de 0,4% na passagem de junho para julho, aponta FGV

Apesar do resultado negativo mensal, o Produto Interno Bruto (PIB) acumula um avanço de 1,8% nos últimos 12 meses, impulsionado pelo consumo das famílias e investimentos.

Vista aérea de um porto comercial repleto de contentores de carga, simbolizando o movimento da economia brasileira.

A economia brasileira registou uma contração de 0,4% em julho quando comparada com o mês de junho, marcando o segundo recuo consecutivo, após a queda de 1% observada no mês anterior. Os dados constam no Monitor do PIB, um levantamento realizado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) que estima o comportamento do Produto Interno Bruto reunindo dados da indústria, do comércio, dos serviços e da agropecuária.

Apesar da variação negativa a curto prazo, a análise em bases anuais revela um cenário diferente. Em comparação com o mesmo mês de 2025, julho de 2026 apresentou uma alta de 1,3%. No acumulado dos últimos 12 meses, o indicador assinala um avanço positivo de 1,8%, embora represente uma ligeira desaceleração face aos 2,2% acumulados até junho.

Impactos do cenário externo e consumo interno

Juliana Trece, economista e coordenadora da pesquisa, classificou o atual panorama como “desafiador”. A investigadora justificou o recuo com o enfraquecimento simultâneo dos principais setores económicos, caracterizado pela retração na agropecuária e pela estagnação verificada na indústria e nos serviços. Entre os obstáculos enfrentados, destacou fatores externos, como a imposição de tarifas norte-americanas sobre exportações brasileiras e o aumento do preço do petróleo, e fatores internos, nomeadamente os juros elevados e o endividamento das famílias.

Curiosamente, o consumo das famílias continuou a crescer, registando uma subida de 0,4% no trimestre terminado em julho, sendo este um dos principais motores da economia (representa mais de 60% do PIB). Outro indicador positivo foi a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que mede o investimento em áreas como a aquisição de máquinas e equipamentos, com uma expansão de 1,4% no mesmo período.

O levantamento da FGV antecede a divulgação oficial do PIB, que é apurado trimestralmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No início do mês, o IBGE confirmou que a economia avançou 0,5% no segundo trimestre, com uma alta acumulada de 1,9% em 12 meses. As projeções mais recentes do mercado financeiro, publicadas no relatório Focus do Banco Central, estimam que a economia encerre o ano de 2026 com um crescimento de 1,89%.

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