quarta-feira, julho 15, 2026
Início Esporte CBF quer mudar jeito de lidar com reclamações dos clubes sobre arbitragem

CBF quer mudar jeito de lidar com reclamações dos clubes sobre arbitragem

Com a retomada do Brasileirão após a pausa para a Copa do Mundo, a ideia agora é revitalizar o setor de ouvidoria de arbitragem

A CBF quer mudar a relação com os clubes na hora de lidar com as reclamações relativas à arbitragem. E o novo desenho do setor faz parte disso.

Com a chegada de Sandro Meira Ricci para presidir a comissão de arbitragem, a proposta é que o debate institucional fique concentrado em outra figura relativamente nova na estrutura: o diretor de arbitragem, Netto Góes.

Antes, os protestos e questionamentos eram sempre direcionados ao presidente da comissão. Rodrigo Martins Cintra foi o nome anterior na função.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

A ideia agora é revitalizar o setor de ouvidoria de arbitragem e também deixar com Netto a tarefa de interlocução com os dirigentes que, por acaso, se insurjam contra alguma questão de campo. O retorno do Brasileirão após a pausa para a Copa do Mundo traz as tensões e os holofotes para o contexto nacional.

“É uma dinâmica que foi construída para fortalecer a governança dentro do que a gente espera para a arbitragem com a chegada do Sandro. O Sandro precisa ter essa tranquilidade para se dedicar integralmente na instrução, ao treinamento técnico, implementação de novas regras, implementação agora do impedimento semiautomático. É uma pasta que ela é muito vasta de atividades e assumir esse papel de interlocução com os clubes e as federações vai dar ao Sandro essa tranquilidade”, disse Netto Góes, que acompanhou o dia de treinamento dos árbitros nesta quarta-feira (15), na Granja Comary.

“A ideia é que a gente consiga blindar a comissão”, acrescentou ele.

Isso não significa que as reuniões com os clubes após as rodadas vão acabar. Mas o pensamento na CBF é reformular o ambiente de debate. A visão dos dirigentes e de quem comanda a parte técnica é que os cartolas usavam a ocasião para levar assuntos que desviavam o foco dos lances capitais dos jogos.

Nesse formato, Sandro e outros membros da área técnica só entram no circuito para dar embasamento teórico às eventuais respostas da diretoria de arbitragem.

SEMIAUTOMÁTICO A CAMINHO

Netto presidiu o grupo de trabalho que culminou com o projeto de profissionalização da arbitragem. O quadro atual envolve 72 árbitros, entre os que atuam no campo, assistentes e VAR.

Cartola do Amapá, ele reconhece que o ambiente envolvendo a arbitragem na Série A -sobretudo pela polarização entre Palmeiras e Flamengo – vai demandar muita atenção.

“A gente tem uma linha de lidar com isso de forma muito tranquila. Não são decisões e treinamentos que vão acabar com qualquer tomada de decisão controversa (do árbitro) que pode vir a acontecer. Mas a ideia é que a gente tenha uma relação muito sóbria, muito equilibrada. E é importante que essa relação permaneça sempre aberta. Apesar de saber que em algum momento pode vir a ter uma tensão, o processo é sempre esse, de acreditar, de implementar, de investir e de ter essa relação próxima com os clubes. Porque no final do dia o que a gente quer é isso. É um produto melhor para os clubes, um produto melhor para a arbitragem, para a CBF e para o torcedor”, disse ele.

Pelas contas da CBF, já houve investimento de R$ 7,1 milhões com remuneração fixa e variável dos árbitros que pertencem ao quadro profissional, entre março e junho. Até julho, a conta da entidade é que outros R$ 3,5 milhões foram destinados a treinamentos entre janeiro e julho. Esses números foram apresentados em reunião com as federações nesta terça-feira (14).

E ainda tem o impedimento semiautomático para sair do papel. A CBF vai fazer uma reunião na semana que vem com os clubes para anunciar a data cravada do início do uso do novo sistema no Brasileirão. Outro debate, já no início de agosto, será a respeito das novas regras adotadas pela Fifa na Copa do Mundo e o momento de aplicá-las já no Brasileirão 2026.

“Apesar das pressões, apesar de todas as polarizações que podem vir a acontecer, a arbitragem vive um novo momento. A CBF vive um novo momento. É um momento de dirigentes mais novos, uma cabeça diferente. Eu acho que tudo isso vai culminar no fortalecimento. Essa mudança de mentalidade também deve acontecer por conta dos clubes. Acho que os clubes também têm visto o quanto a CBF tem investido em treinamento de arbitragem, o quanto a gente tem investido em profissionalização, em novas tecnologias. É um processo de maturação”, disse Netto Góes.

Comentários

Deixe seu comentário