A hepatite B é uma infecção viral crônica que, se não tratada adequadamente, pode evoluir para condições graves como cirrose e câncer de fígado (carcinoma hepatocelular). Embora o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibilize gratuitamente medicamentos antivirais altamente eficazes, a interrupção do tratamento compromete o controle da doença e acende um alerta para a Vigilância Epidemiológica. Diante disso, o estado de Rondônia, por meio da Agevisa-RO, está mapeando o perfil dos pacientes que abandonaram ou pausaram a medicação entre os anos de 2023 e 2026.
DESAFIOS DE FRONTEIRA
A região de saúde Madeira-Mamoré, que concentra a maior população do estado (cerca de 666.953 habitantes) e abrange os municípios de Porto Velho, Candeias do Jamari, Itapuã do Oeste, Nova Mamoré e Guajará-Mirim. Por fazerem fronteira com a Bolívia, os três últimos municípios enfrentam uma dinâmica de intensa mobilidade populacional. Esses aspectos geográficos e sociais, somados à organização dos serviços de saúde locais, criam barreiras complexas para que o paciente consiga manter o acompanhamento contínuo e a rotina de retirada dos remédios.
JULHO AMARELO
Para resgatar esses pacientes, as ações exigem trabalho articulado com as unidades que oferecem assistência aos usuários com hepatites virais. Somado a esse monitoramento, a Vigilância Epidemiológica, promove a campanha “Julho Amarelo 2026” de enfrentamento às hepatites virais. A programação inclui eventos estratégicos com oferta de vacinas e insumos, capacitação para Agentes Comunitários de Saúde (ACS), palestras com vacinação para Pessoas Privadas de Liberdade (PPL) e um Webnário, aberto ao público, focado no protagonismo da Atenção Primária para a eliminação das hepatites até 2030.
ALERTA
A adesão rigorosa ao tratamento é o único caminho para frear a evolução da doença e reduzir a mortalidade por problemas hepáticos. A coordenadora estadual das hepatites virais (NISTHV) da GTVEP, Francilene Miranda, ressalta a necessidade de sensibilização e busca ativa. A interrupção do tratamento da hepatite B é um desafio crítico para a saúde pública em Rondônia, especialmente em uma região de alta endemicidade e com as particularidades de fronteira da Madeira-Mamoré. “Nosso objetivo com este diagnóstico é compreender os gargalos que levam o paciente a abandonar a terapia e, a partir daí, fortalecer a rede de assistência técnica para garantir o acolhimento, o vínculo e a cura no tempo certo, evitando complicações letais.”
COMO BUSCAR AJUDA
Se você tem diagnóstico de hepatite B, tem mais de 18 anos e interrompeu seu tratamento ou perdeu as consultas nos últimos anos, procure o Serviço de Atenção Especializada (SAE) mais próximo, CEPEM ou a unidade de referência onde iniciou o acompanhamento. O SUS garante exames periódicos e a retirada gratuita da medicação necessária para manter o vírus sob controle e proteger o seu fígado.



















