sábado, setembro 19, 2026
Início Brasil Geral Plataforma com 228 indicadores revela profundas desigualdades entre os estados brasileiros

Plataforma com 228 indicadores revela profundas desigualdades entre os estados brasileiros

A ferramenta "IMDS - Eleições: Panorama Estadual" permite analisar dados em 12 áreas distintas, evidenciando o fosso socioeconómico entre o Norte/Nordeste e as restantes regiões do país.

Fotografia aérea de uma cidade com grandes edifícios, representando a densidade e o desenvolvimento urbano.

Uma nova plataforma digital reúne 228 indicadores com o objetivo de traçar um retrato detalhado e comparativo das diferentes realidades regionais no Brasil. A ferramenta abrange áreas fulcrais como o ambiente de negócios, assistência social, atividade económica, rendimento e pobreza, educação, situação fiscal, habitação, ambiente, mercado de trabalho, mobilidade social, saúde e segurança.

Batizada de “IMDS – Eleições: Panorama Estadual”, a iniciativa ilustra as discrepâncias do país através de dados concretos. Na área da educação, por exemplo, o estado do Ceará registou uma evolução assinalável no nível adequado de proficiência em leitura dos alunos do 2º ano do ensino fundamental, passando de 44,9% em 2021 para 72,1% em 2023. Em contrapartida, Alagoas manteve-se praticamente estagnado no mesmo período, passando apenas de 30% para 30,7%.

Desigualdades regionais e pobreza extrema

O cruzamento destes indicadores evidencia um país dividido em dois grandes blocos, com uma notória discrepância entre os estados do Norte e Nordeste face aos do Sul, Sudeste e Centro-Oeste. A plataforma revela que os nove primeiros lugares no ranking de estados com maior proporção de pessoas a viver com rendimentos abaixo da linha de pobreza extrema pertencem exclusivamente às regiões Norte e Nordeste. Por sua vez, as melhores posições entre as 27 unidades da Federação são ocupadas pelos estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

No setor da saúde, os dados também alertam para retrocessos, como o aumento da taxa de casos de tuberculose entre 2020 e 2025. No Rio de Janeiro, o índice subiu de 79,3 para 99,3 casos por cada 100 mil habitantes, enquanto no Rio Grande do Sul o aumento foi de 53,8 para 69,8 casos.

Segundo Paulo Tafner, presidente do IMDS, a intenção da ferramenta não é criar uma classificação única, mas fornecer elementos para uma análise rigorosa das trajetórias estaduais. O responsável sublinha que, no atual ciclo eleitoral, é essencial ter mecanismos para avaliar se um determinado problema é persistente ou recente, e se o desempenho de um estado é uma exceção ou uma tendência consolidada, dando assim mais contexto às escolhas dos eleitores.

Comentários

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here