quinta-feira, julho 16, 2026
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‘Precisamos deixar o futebol respirar’, diz novo chefe dos árbitros da CBF

Árbitros já estão sendo treinados com base nas novas regras adotadas pela Fifa na Copa do Mundo

Sandro Meira Ricci ainda nem fez por completo a mudança dos Estados Unidos para o Rio, mas já embarcou em duas semanas consecutivas de treinamentos com os árbitros da CBF. Uma na Espanha e outra na Granja Comary, em Teresópolis.

O ambiente do CT da seleção brasileira virou a página após o sonho frustrado do hexa. O foco agora é o retorno das competições nacionais e o início de uma nova gestão à frente da comissão de arbitragem.

A cadeira de presidente está com Ricci, que passa a dividir atribuições com a ainda recente diretoria de arbitragem, encabeçada por Netto Góes. A meta é implantar uma nova filosofia, aliando o treinamento técnico com os aparatos tecnológicos. Mas o foco, principalmente, é comportamental. Mas que filosofia é essa?

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“Menos arbitragem, mais futebol. Acho que a gente precisa deixar o futebol respirar um pouquinho. Obviamente, isso não é um processo que vai ter resultado nesta sexta-feira (17), mas é um processo cultural, uma mudança de cultura. Isso leva um pouco de tempo, mas é importante que a gente tenha uma mensagem clara com os árbitros. Isso é muito importante para que eles entendam o caminho que a gente entende isso aqui”, disse Ricci.

Sandro é ex-árbitro de duas Copas do Mundo, ex-comentarista da Globo e ex-instrutor na Major League Soccer (MLS). Agora, vem para ser um dos rostos em um ambiente de pressão. Mas a estratégia da CBF é blindá-lo, deixando Netto Góes resolvendo as questões institucionais com clubes.

“Com a criação da diretoria de arbitragem, o trabalho da comissão se tornou muito mais técnico. É importante a gente deixar a questão institucional, estratégica, para a diretoria e focar na parte técnica dos árbitros. E o que eles (da CBF) pediram é que eu trouxesse um pouquinho da minha experiência de campo e também a experiência nos últimos três anos que eu tive com os árbitros profissionais da MLS, para poder contribuir com esse processo de desenvolvimento da arbitragem nacional”, acrescentou o novo presidente.

Os árbitros já estão sendo treinados com base nas novas regras adotadas pela Fifa na Copa do Mundo. A maioria delas vai ser adotada pela Conmebol -com exceção da Lei Vini Jr (que pune com cartão vermelho que falar com adversário colocando a mão na boca durante uma discussão).

No Brasileiro, a CBF marcou uma reunião com os clubes no início de agosto para bater o martelo para a data da incorporação das novas regras.

O QUE MAIS SANDRO MEIRA RICCI DISSE

O que viu dos árbitros até agora?

“Encontro aqui o pessoal bem motivado, bem feliz também. É importante a gente tentar, com esses treinamentos, criar uma filosofia de arbitragem. Para os clubes, é o estilo de jogo. Para a gente, é filosofia de arbitragem, para que a gente tenha decisões mais consistentes. É o objetivo nosso, mas também a expectativa do público e dos jogadores e das equipes”.

O que mais faz parte da filosofia?

“Na verdade, é um caminho para a melhoria do futebol. A gente tem um esforço muito grande sendo feito pela CBF no que diz respeito ao aumento do tempo de bola rolando. E a arbitragem é, de fato, um agente promotor disso. As pessoas vão ao estádio para ver futebol, não para ver arbitragem. Nós somos parte do futebol e a gente precisa tomar decisões que de fato sejam sempre claras. Porque uma decisão nossa pode interferir não só no jogo, mas também no resultado. É importante que a gente tenha uma filosofia de respeitar mais a dinâmica do futebol. É uma filosofia, uma mudança de cultura, mas eu acredito que os árbitros estão completamente alinhados a isso”.

Como vai lidar com o ambiente de reclamação e pressão?

“Uma das iniciativas que, de fato, me motivaram a aceitar esse desafio, que é um desafio gigante realmente, é uma mudança cultural que a gente tem que fazer. Não só de dentro pra fora. Mas também uma mudança de cultura que a gente precisa também fazer de lá pra cá. Ou seja, somos todos em prol do futebol. Precisa ter uma mudança de cultura por parte dos clubes, dos jogadores, para que a gente possa fazer um futebol melhor”.

“Sobre a relação com os clubes e federações, uma coisa muito importante que eu achei nesse processo é exatamente a gente separar o que é institucional do que é técnico. Então, a gente tem o apoio contínuo do Netto (Góes), da diretoria de arbitragem, nessa relação com os clubes e com as federações. Obviamente a gente participa da parte técnica, mas a gente entende que isso vai permitir com que nós, a comissão, esteja mais focada na preparação dos árbitros e nessa mudança de filosofia”.

Falando sobre exigência, como é que na sua função você vai lidar com erros?

“De maneira natural, é uma atividade do ser humano. Assim como os jogadores também erram, a gente tem que conhecer quando a gente erra. Existe uma análise que costuma acontecer da parte dos clubes, jogadores e torcedores, que é uma análise completamente parcial. E o que a gente não pode fazer é cometer exatamente esse erro, de ter aqui também uma análise parcial, corporativista. A gente pretende atuar com transparência. Isso vai trazer credibilidade, não só perante o mundo externo, mas também internamente. É importante os árbitros reconhecerem. Porque toda vez que você dá uma instrução ou toma uma decisão que pode parecer parcial, corporativista, você acaba prejudicando todo o processo de instrução. E a gente não pode comprometer todo um processo, que é sério, de instrução, apoiando decisões que são claramente equivocadas”.

Vai usar o termo geladeira se precisar tirar alguém da escala? Vai usar esse nome?

Não, não existe geladeira.

Já saíram escalas para rodadas mais adiante, com mais antecedência. Vai ser essa a política?

“Vai ser essa a política. A gente está falando de um ambiente profissional, correto? Os jogadores sabem dos compromissos que eles têm desde o começo do ano. Por que os árbitros não? A gente está falando de um ambiente profissional. É importante que o cara programe o treino dele. Como é que ele vai treinar durante essa semana, se ele só sabe na quinta ou sexta que tem um jogo sábado ou domingo? Então, até a preparação do árbitro durante a semana é afetada quando você solta escalas em cima da hora. A gente precisa tratar os árbitros como os jogadores são tratados. O mais similar possível. É importante para o planejamento não só profissional dele, para o planejamento técnico, físico e o planejamento familiar. A gente precisa de respeitar isso também. Então, é importante que a gente tenha essas escalas com antecipação para que possam se preparar melhor para o jogo, do ponto de vista tático e físico”.

Qual sua avaliação sobre o projeto de profissionalização

“Esse era um sonho impossível da arbitragem que se tornou possível graças à nova direção do CBF. Então, primeiramente é reconhecer que, depois de muitos anos esperando, com os árbitros desacreditados, esperando gerações, é importante reconhecer o esforço da direção do CBF ao começar isso. Acho que é um processo sempre em evolução. A gente nunca tem um processo perfeito, principalmente se tratando da experiência que a gente tem, que ainda está começando agora. Mas exatamente trazendo um pouco dessa experiência também dos Estados Unidos, a gente pode avançar sempre mais a cada ano”.

“É um processo muito bom, os árbitros estão muito satisfeitos com o conhecimento que a CBF deu a eles. E agora é trabalhar para consolidar esse processo. Esse processo não tem um nome. Se tiver um nome (de presidente da comissão). O nome é dos árbitros e é da direção da CBF. Então, é importante a gente valorizar esse esforço que tem sido feito para capacitar os árbitros. E também eles reconhecerem que, a partir de agora, o nível de exigência também vai ser maior. Esse trabalho de alinhamento de expectativas é o que a gente precisa fazer a cada treinamento”.

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